Descendentes 3

Créditos da imagem: Disney Channel/Divulgação

Filmes

Crítica

Descendentes 3

Invertendo o papel de vilões e mocinhos, filme traz discussão atual para universo infanto-juvenil com otimismo e muita breguice

Mariana Canhisares
09.08.2019
15h30
Atualizada em
09.08.2019
15h42
Atualizada em 09.08.2019 às 15h42

Mal (Dove Cameron) não poderia ter se adaptado melhor à vida de princesa de conto de fada. Na pacata Auradon, a terra dos mocinhos, ela encontrou conforto e amor, sem perder seu jeitinho malévolo e seus amigos da Ilha dos Perdidos. A experiência foi tão positiva que, em Descendentes 3, não foi difícil convencer o rei Ben (Mitchell Hope) a trazer outra leva de filhos de vilões ao reino. Porém, a inesperada tentativa de fuga de Hades (Cheyenne Jackson) muda por completo a situação. De repente, a protagonista se vê diante de um verdadeiro dilema: proteger seu novo lar, que teme uma revolta dos excluídos, ou defender os interesses da terra onde nasceu.

Sim, nem mesmo o mundo dos contos de fadas está livre dos atuais debates sobre as fronteiras e o medo do que é diferente. No filme, essa discussão tão séria se aproxima do universo infanto-juvenil através de uma dinâmica lúdica, que brinca com a inversão de papéis entre heróis e antagonistas. Assim, se antes Uma (China Anne McClain), a filha da Úrsula, foi a vilã, agora ela é uma aliada de Mal. Já Audrey (Sarah Jeffery), a herdeira da Bela Adormecida, começa a gostar de ser má e se transforma no que sempre desprezou. Em outras palavras, todo mundo pode ser herói e vilão, independente do lugar de onde veio.

Como era de se esperar, a produção não exatamente se aprofunda neste tema e, por isso, às vezes abre brecha para conclusões um pouco questionáveis. Felizmente, em última instância, Descendentes 3 traz uma mensagem conciliadora em tempos tão extremistas. Afinal, prova que o diálogo - ou um número musical - é capaz de fazer com que até as pessoas mais opostas sintam empatia uma pela outra.

Ainda que a trama envolva certo nível de seriedade, a franquia não perde seu exagero tão característico neste terceiro capítulo. A versão punk suave do Hades é um ótimo exemplo disso. O ator Cheyenne Jackson abraça o caricato com carisma e, mesmo com um moicano azul flamejante, não gera vergonha alheia. O mesmo se aplica a parte do núcleo jovem, como China Anne McClain, Thomas Doherty e Cameron Boyce, que sabem navegar pelo brega com naturalidade. Entretanto, o casal principal Dove Cameron e Mitchell Hope, assim como a antagonista Sarah Jeffery, não se saem tão bem e caem no ridículo.

A proposta de misturar elementos de produções infanto-juvenis anteriores - a premissa dos contos de fada; a estrutura e o clima de rivalidade entre adolescentes de High School Musical; e a breguice de Pequenos Espiões - para criar o sucesso teen dessa geração, é bem-sucedida em Descendentes 3, mas não supera, ou sequer se equipara à qualidade das suas inspirações. Mesmo assim, este novo filme cumpre a que veio, atualizando o imaginário sobre o mundo das princesas com um olhar mais otimista. Por isso, mesmo que as músicas não sejam tão boas e seja inegável o excesso de couro no figurino, é difícil não sentir um calor no coração. Mal, Evie, Carlos e Jay (Booboo Stewart) são a prova de que nem nos contos de fada as coisas são preto no branco. Bem que poderíamos encarar o mundo real dessa forma também.

Nota do Crítico
Bom