Depois do Casamento

Créditos da imagem: Depois do Casamento/Diamond Films/Reprodução

Filmes

Crítica

Depois do Casamento

Sem propósito definido, filme mergulha de cabeça em dramalhão desinteressante e cansativo

Mariana Canhisares
23.09.2019
15h26

Na era dos remakes, um bom propósito se prova essencial para justificar a retomada de uma história, sobretudo se a produção original obteve algum resultado positivo ou se manteve minimamente relevante anos depois. O revisitar pelo mero prazer de fazer de novo é pouco eficiente - afinal, as comparações são inevitáveis. No caso do novo Depois do Casamento, remake americano do longa dinamarquês indicado ao Oscar em 2006, não há elemento algum que faça valer a pena repetir a dose de drama. Nesta segunda tentativa, o triângulo amoroso e as anunciadas reviravoltas sequer emocionam. Mostram-se, na realidade, enfadonhos demais para que alguém se importe.

Embora mude o gênero dos personagens, a produção tem a mesma premissa que o longa estrelado por Mads Mikkelsen. Michelle Williams é Isabel, a diretora de um orfanato na Índia que, precisando de recursos, viaja para Nova York para conhecer uma potencial doadora, a empresária Theresa (Julianne Moore). Porém, o que parecia ser uma simples reunião de negócios se revela um confronto com traumas antigos, já que a benfeitora é casada com alguém de seu passado (Billy Crudup).

Com esta proposta, esperava-se que Depois do Casamento soubesse explorar os eventos e descobertas apresentados ao longo da trama para criar tensão entre os personagens. No entanto, apesar da direção de Bart Freundlich mirar em algum nível de inquietude, ela acerta apenas no dramalhão. Há momentos tão exagerados para forçar empatia entre público e protagonistas que chega a ser constrangedor. Basta notar a cena de choro de Moore nos braços de Crudup mais ao final do longa. Gritos, sofrência e lágrimas em excesso, mas o trecho em si não provoca nenhuma emoção genuína do lado de cá da tela.

Essa opção de direção enfraquece e muito o desenrolar da narrativa. Não importa o quão chocante sejam as revelações - que, por sinal, parecem saídas de uma novela pouco inspirada -, elas não promovem uma verdadeira evolução na trajetória dos personagens. No fundo, nenhum deles efetivamente supera algo de verdade. Os traumas do passado vêm e vão de tal forma que parece até sem sentido acompanhar as quase duas horas de filme.

Nesse sentido, diferentemente do original, o remake de Depois do Casamento deve sair de cartaz do mesmo jeito que entrou: sem conquistar nada de muito impressionante, ou causar nenhum estardalhaço.

Nota do Crítico
Regular