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Crítica

Denial | Crítica

30 anos depois, história real sobre julgamento do Holocausto parece ter ocorrido ontem

Érico Borgo
13.09.2016
16h45
Atualizada em
29.06.2018
02h37
Atualizada em 29.06.2018 às 02h37

Rachel Weisz e Timothy Spall lutam em lados opostos em Denial, um inusitado filme de tribunal baseado em uma história real.

Na década de 1990, a historiadora Deborah Lipstadt, especializada no holocausto do povo judeu da Segunda Guerra Mundial, teve que se defender perante a corte britânica. Seu acusador era David Irving, também historiador, mas um que nega a existência do holocausto. Em seus livros, a autora descredita o trabalho de Irving, chamando-o de um "denier", termo que Irving julga ofensivo, iniciando o processo.

A história de contornos surrealistas ganhou escala épica devido ao curioso sistema de justiça britânico. Para vencer, Deborah teve que provar que o holocausto realmente aconteceu.

O inglês Mick Jackson dirigiu o drama a partir do livro da própria Deborah, adaptado por David Hare, de filmes históricos como The Reader e As Horas. O diretor explora bem os meandros da estranha justiça britânica, mostrados aos olhos da americana cética, enquanto lida com as diferenças culturais da ré e os ingleses.

Weisz emprega suas habituais qualidades como atriz. Não exagera na emoção, jamais descambando para o melodrama, tão comum nesse tipo de filme... sua raiva contida é bem-vinda. Mas é Spall, o acusador, que dá o tom emocional (e irracional) do filme. Seu neo-nazista, racista, misógino e extremista é tão fascinante quanto grotesco. Um dos melhores trabalhos de uma carreira formidável.

Em tempos repletos de covardes ocultos atrás das cortinas digitais, que deturpam a todo instante o significado de ter direito à livre expressão e de pensamento, Denial é um lembrete poderoso que opiniões equivocadas, ainda que de direito, têm consequências.

Nota do Crítico
Ótimo