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Déjà Vu | Crítica

Déjà Vu

Marcelo Hessel
18.01.2007
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h21
Atualizada em 21.09.2014 às 13h21

Déjà Vu
Déjà Vu
EUA, 2006 - 128 min.
Suspense/Ação

Direção: Tony Scott
Roteiro: Terry Rossio, Bill Marsilii

Elenco: Denzel Washington, Val Kilmer, Paula Patton, Jim Caviezel, Adam Goldberg, Marel Medina, Erika Alexander, Bruce Greenwood, Rich Hutchman, Matt Craven

Denzel Washington persegue pelas avenidas de Nova Orleans o carro do suspeito de um atentado terrorista. Derrapadas, batidas, capotamentos, herói trafegando pela contramão - é tudo o que se espera, e o que já se viu, em matéria de perseguição de filme de ação. A diferença é que Denzel segue, do presente, um carro que está quatro dias no passado.

Déjà Vu (2006), novo trabalho do diretor Tony Scott (Chamas da vingança, Domino), não é exatamente uma ficção científica sobre viagem no tempo, com dilemas clássicos de realidades paralelas ou paradoxos de tempo-espaço. Antes disso, é um thriller com elementos de viagem no tempo: o milagre da física entra no filme como ferramenta de investigação; norteia-se o futuro com base no que se observa do passado.

Em outras palavras: ainda que o enfoque mude ao longo do filme, ele está mais para Minority Report (2002) do que para De Volta para o Futuro (1985).

Na trama, Doug Carlin (Washington) é um policial de Nova Orleans que investiga a explosão de uma balsa na cidade, caso rapidamente diagnosticado como atentado criminoso. Simultaneamente, surge no mesmo local o corpo queimado de uma mulher, Claire Kuchever (Paula Patton) - mas que morreu minutos antes da explosão. Durante a investigação, Carlin é apresentado a uma equipe do FBI que está testando um equipamento inovador: um sistema de vigilância que consegue enxergar o passado. Carlin não pensa duas vezes. Convencido de que os dois casos estão relacionados, pede que a equipe vigie a rotina de Claire.

As filmagens de Déjà Vu estavam agendados para outubro de 2005, mas a produção foi forçada a interrompê-las por causa da devastação do furacão Katrina na Louisiana. Em fevereiro do ano passado, o projeto foi retomado - e se tornou um dos primeiros filmes rodados na Nova Orleans pós-catástrofe. Todos esses eventos extra-filme acabam ganhando uma conotação forte: o conceito de observação do passado, dentro da história, está ligada a tragédias que poderiam ser evitadas.

Ainda que não sejam evitadas, ao menos as tragédias são reconhecidas. Quando começa a acompanhar a rotina de Claire, é como se o personagem de Washington prestasse o luto por essa mulher que ele só está conhecendo depois de morta. Há, sem dúvida, uma sugestão de necrofilia forte aí, na linha emocional de Um corpo que cai (1958). Mas há maior ainda um sentimento de velamento, de respeito à morte.

Grandes tragédias não têm rosto. A viagem no tempo de Déjà Vu dá à tragédia um rosto, o de Claire. Patriotadas, diálogos ultra-reiterativos e desfechos previsíveis à parte, o que fica é uma implícita homenagem póstuma a Nova Orleans.

Nota do Crítico
Bom