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Crítica

Da Magia à Sedução 2 amadurece sua nostalgia sem perder o encanto

Sequência aposta na energia de suas protagonistas para mostrar que a verdadeira força da franquia sempre esteve na irmandade

Omelete
3 min de leitura
08.09.2026, às 13H00.
Da Magia à Sedução 2 amadurece sua nostalgia sem perder o encanto

Créditos da imagem: Practical Magic 2 (Reprodução)

Nos últimos anos, o audiovisual encontrou um caminho fértil ao resgatar histórias marcantes de forte protagonismo feminino das décadas de 1990 e 2000. Isso se reflete tanto em sequências tardias de clássicos da época - como os retornos de O Diabo Veste Prada e Uma Sexta-Feira Muito Louca, quanto em reinterpretações de obras como Meninas Malvadas e o fenômeno Wandinha. É dentro desse cenário que a sequência de Da Magia à Sedução (1998) chega às telonas. 

Rejeitado em seu lançamento por oscilar bruscamente entre a comédia leve e o suspense sombrio, o longa original foi abraçado com o tempo, se tornando um clássico cult sobre irmandade e laços familiares (aquele típico comfy movie, com energia de sessão da tarde). A continuação acerta ao equilibrar o fator nostalgia dos fãs com o amadurecimento desse universo e a evolução inevitável da família Owens.

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Ao tentar proteger as filhas do fardo de sua herança mágica, Sally (Sandra Bullock) opta por esconder delas a identidade familiar e a existência da maldição ancestral - até que Kylie (Joey King) se apaixona e descobre a verdade, iniciando uma busca pelo fim do feitiço. É nesse desenrolar que a direção de Susanne Bier deixa clara a sua proposta. 

A sequência reduz os momentos de suspense em comparação ao longa de 98, tornando as cenas de tensão mais pontuais e breves. Afinal, a magia por conta própria nunca foi o problema de fato, mas um elemento comum e inevitável no cotidiano das Owens. O medo de Sally não nasce da feitiçaria por si só, mas do desejo de proporcionar às filhas uma vida "comum" e protegê-las daquilo que já viveu no passado em decorrência dos poderes. E é através de planos fechados que Bier prioriza essa densidade dramática e os conflitos familiares, retratando essa magia como algo doméstico e intimista.

Voltando o olhar ao elenco, a química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman é a principal âncora do filme, que funciona em uma dinâmica de opostos no estilo gato preto e golden retriever. É empolgante ver Gilly engraçada à sua maneira - a irmã impulsiva, magnética, de espírito livre - e empolgada ao ver a irmã voltando às raízes mágicas. Já Sally assume o alívio cômico de forma mais sutil: uma figura travada que engasga, tropeça e não consegue disfarçar o nervosismo. 

O retorno das tias originais traz um peso emocional (inclusive maior e mais importante do que no primeiro longa) e nostálgico muito bem-vindo, enquanto a adição da nova geração cumpre um papel narrativo fundamental. A presença de Kylie é o mecanismo que faz a história de fato andar e força os conflitos a acontecerem de maneira diferente do original. O problema é que o roteiro pesa a mão em algumas atitudes ingênuas para a personagem de Joey King e deixa Maisie Williams subaproveitada, faltando uma química mais genuína entre as duas irmãs (afinal, é um filme também sobre irmandade).

Em um ponto de vista geral, a história é cativante, e quem guarda um carinho pelo filme de 98 com certeza vai se agradar com a sequência. O longa entende perfeitamente o valor da nostalgia e se apoia em diversos estímulos visuais e sonoros que remetem diretamente ao anterior, mas sem soar apelativo. Essa atmosfera acolhedora fica ainda mais intensa com a trilha sonora, que traz a marcante (e esperta) presença de Stevie Nicks e a adição contemporânea de Olivia Rodrigo

Tudo isso faz jus à mensagem central que o longa faz questão de honrar: no fim, o laço entre as mulheres da família Owens é auto suficiente e o romance fica em segundo plano, sem colocar o homem como foco principal ou figura indispensável na vida da mulher. Mesmo tropeçando em alguns pontos - pequenos o bastante para relevarmos diante da leveza da produção -, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor entrega um retorno maduro, acolhedor e fiel à sua própria essência, provando que essa onda de resgates da cultura pop noventista ainda tem muito a oferecer quando lembra exatamente o motivo de estarmos ali.

Nota do Crítico

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor

Practical Magic 2

12
Duração: 1h50 min
Direção: Susanne Bier
Elenco: Joey King, Sandra Bullock, Lee Pace, Nicole Kidman, Maisie Williams
Onde assistir:

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