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Cry Wolf - O Jogo da Mentira | Crítica

Cry Wolf - O Jogo da Mentira

Érico Borgo
09.03.2006
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h19
Atualizada em 21.09.2014 às 13h19

Cry Wolf - O Jogo da Mentira (Cry Wolf)
EUA, 2005
Suspense - 90 min

Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Beau Bauman e Jeff Wadlow

Elenco: Julian Morris, Lindy Booth, Jared Padalecki, Jon Bon Jovi, Sandra McCoy, Kristy Wu, Jane Beard, Gary Cole, Jesse Janzen, Paul James, Ethan Cohn, Ashley Davis

Em 2001, a montadora Chrysler criou em parceria com o Universal Studios o festival Chrysler Million Dollar Film. A idéia do concurso era premiar com 1 milhão de dólares o melhor roteiro inscrito, para que ele pudesse ser transformado em película.

O sortudo campeão da primeira edição foi o estreante Jeff Wadlow com o texto Living the lie, dois anos mais tarde transformado no longa Cry Wolf - O jogo da mentira. Depois de conferirmos o filme, porém, fica a impressão de que Wadlow tem as costas quentes ou o nível da concorrência era muito baixo, pois o suposto roteiro mais criativo do concurso é uma celebração da mesmice, cujas pretensões superam em muito a inteligência efetivamente apresentada no texto.

Na trama, depois de um assassinato numa cidade pequena, um grupo de amigos de um colégio interno de elite resolve extrapolar seus joguinhos semanais para toda a escola. Usando a Internet, eles espalham rumores de um assassino serial na região, "O Lobo", descrevendo detalhadamente o maníaco - de seus atributos físicos à roupa que veste, numa seqüência até que bacana - e como serão os seus próximos assassinatos. Porém, quando a brincadeira começa a tornar-se realidade, todos começam a se perguntar se o jogo acabou ou se há mesmo um louco entre eles.

Acredite, você já viu tudo isso. E Wadlow também, claro. Mas o cineasta tem tanta certeza que conseguiu extrair idéias novas do gênero (alguém realmente aguenta mais um filme de picadinho adolescente?) que elabora um plano intrincadíssimo, que soa superinteligente a princípio, mas desmorona assim que pensamos 30 segundos nele.

Outro aspecto falho do filme é a ausência de dois dos elementos que poderiam atrair os fãs do gênero terror: sexo e sangue. Sem esse tempero, a mesmice torna-se injustificável. Afinal, não há uma boa morte sequer e os protagonistas - apesar de passáveis - não são assim um poço de sensualidade. E não venha me dizer que o Jon Bon Jovi, que tem um papel secundário na história, segura a onda. Ele faz cara de Jon Bon Jovi o tempo todo.

Pelo menos uma coisa funciona a favor do filme, porém. O diretor tem tanta certeza que o roteiro é esperto que quase faz com que acreditemos nele. Quase. E é justamente essa determinação que o torna um bom produto para seu público-alvo, geralmente mais sugestionável. Para qualquer pessoa com um pouco mais de discernimento, contudo, Cry Wolf é só mais um desperdício de 90 minutos.

Nota do Crítico
Regular