Crônicas de Natal

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Filmes

Crítica

Crônicas de Natal

Para ver entre a ceia e a entrega dos presentes

Natália Bridi
23.11.2018
16h31
Atualizada em
23.11.2018
17h19
Atualizada em 23.11.2018 às 17h19

Filmes de Natal são uma instituição hollywoodiana. Tanto que podem ser considerados um gênero por si só, com características específicas que os diferenciam de outras produções. Não basta se passar durante as comemorações de fim de ano na América do Norte, é preciso uma dose cavalar de sentimentalismo e a ilusão de que o espírito natalino é capaz de superar toda e qualquer adversidade. Crônicas de Natal, produção da Netflix estrelada por Kurt Russell, segue perfeitamente essa receita.

Com um Papai Noel gato que rejeita constantemente o rótulo de idoso bonachão, algumas criaturas fofinhas e dois irmãos que vão aprender uma grande lição na sua aventura natalina, o filme serve exclusivamente ao seu propósito: entreter crianças e adultos (tolerantes) no período entre a ceia e a entrega de presentes. Produzido também pela 1492 de Chris Columbus, o longa certamente carrega a inspiração nos clássicos natalinos que levam o nome do cineasta/roteirista/produtor - como Gremlins e Esqueceram de Mim -, mas carece da autenticidade dos mesmos para extrapolar o rótulo e justificar a sua exibição em qualquer data no ano.

A direção de Clay Kaytis, de Angry Birds: O Filme, para o roteiro de David Guggenheim (Designated Survivor) e Matt Lieberman (A Família Addams, Scooby-Doo) estabelece uma lógica e um visual de desenho animado para Crônicas de Natal. A ideia é criar uma história sem muito compromisso, que se construa rapidamente e chegue à conclusão sustentada por elementos simples: personagens simpáticos, piadinhas e o já citado sentimentalismo. Nesse sentido, o Papai Noel moderno de Russell é o grande presente. Carismático e disposto a aproveitar cada cena, é prazeroso acompanhar o ator nessa “empreitada família”, com direito a performance de um breguíssimo blues natalino. Já as crianças, interpretadas por Judah Lewis e Darby Camp, são o oposto. Quando mais aparecem, mais se tornam irritantes. Porém, eis a vantagem de ver o filme pela Netflix: é possível pular as partes desagradáveis e ir direto para (e repetir) os momentos com Russell.

Não adianta nem questionar que, segundo o filme, o sucesso do Papai Noel pode evitar grandes problemas no mundo, ou que isso depende quase que exclusivamente dos presentes chegarem aos seus destinatários. É um mundo em que não existe pobreza ou desigualdade social e o grande obstáculo entre uma criança e seu objeto de desejo é a habilidade do entregador mágico de “improvisar” sua entrada na ausência de uma chaminé. É melhor apenas olhar para os elementos fantásticos e o senso de humor de fácil digestão que podem agradar aos pequenos. Para os adultos, além de um argumento que pode ser usado para apaziguar brigas entre irmãos, fica a esperança de que todo esse exagero sirva de inspiração: qualquer um pode fazer do Natal uma data que exalta o melhor do ser humano, basta prestar mais atenção no mundo a sua volta e ser capaz de encontrar satisfação apenas por contribuir para a felicidade alheia.

Nota do Crítico
Bom