Foto de Crô em Família

Créditos da imagem: Crô em Família/Globo Filmes/Divulgação

Filmes

Crítica

Crô em Família

Boas ideias não salvam filme mediano

Camila Sousa
06.09.2018
17h43

Pode parecer repetição, mas é a mais pura verdade: um dos grandes problemas do cinema brasileiro hoje (pelo menos das produções mais comerciais) é o apego ao formato das novelas. Essa característica é o grande prejudicial de Crô em Família, longa de Cininha de Paula que surpreende por suas ideias interessantes, mas é carente de conteúdo.

Quando o longa começa, há uma preocupação em mostrar toda a fragilidade de Crô: recém separado, ele precisa lidar com um difícil processo na justiça e a imprensa de fofocas que tenta o tempo todo conseguir uma nova notícia (verdadeira ou não). À vontade depois de interpretar Crô na TV e no cinema, Marcelo Serrado expressa bem esse momento difícil da vida do personagem, mesclando drama com as já conhecidas excentricidades do ex-mordomo.

O que torna Crô em Família apenas regular, por exemplo, é quando a personagem Jurema (Fabiana Karla) aparece em tela e uma música popular sobe. Esse é o tipo de artificio utilizado em novelas para demarcar os núcleos de humor, drama, romance, etc., mas que não tem espaço em um cinema bem feito. O mesmo acontece com a suposta família de Crô: salvo a personagem de Mel Maia (que tem apenas três falas no filme), todos os membros são caricatos e representam estereótipos que não são quebrados em nenhum momento. Falta aos coadjuvantes todas as camadas que existem no protagonista.

Mesmo com uma personagem rasa, Arlete Salles se destaca na família interpretando a suposta mãe de Crô, Marinalva. Intensa em todas as cenas, ela arranca algumas risadas com seus exageros apesar de, literalmente, repetir uma frase famosa de Scooby-Doo em certo momento. Outro que chama a atenção é Jefferson Schroeder, que faz Geni, a assistente de Crô e uma de suas melhores amigas. Expressivo e com uma voz suave, Schroeder constrói uma personalidade divertida e espirituosa e sua relação com Crô é a mais bem feita de toda a história.

Apesar de se esforçar bastante para ter elementos novos, a diretora Cininha de Paula sofre com a falta de originalidade do roteiro. O filme usa vários cortes rápidos, quebra a 4ª parede e faz referências ao cinema mundial que são interessantes, mas escassas de conteúdo: os diálogos fracos e apoiados em memes não fazem jus ao esforço da direção. Claro, há um charme em ver essas técnicas em ação, mas o fraco desenvolvimento narrativo deixa as sequências soltas e sem sentido.

Esse também é o caso do comentado show de Preta Gil e Pabllo Vittar. É legal ter uma apresentação das duas? Sim. É legal ter o personagem no palco com elas? Claro. Mas toda a trama do filme é interrompida para a apresentação, que não acrescenta em nada para a história. É só mais sequência bem feita, mas totalmente deslocada.

Mesmo com esses pontos, Crô em Família não é nem de longe um filme terrível. Certas piadas são tão bobas que arrancam algumas risadas e, embora a resolução do conflito seja bem simples, Serrado entrega ao público um personagem completo e carismático. Pena que no meio de tudo isso falte uma história mais interessante e livre das amarras do formato novelesco.

Nota do Crítico
Regular