Verão de 84

Créditos da imagem: Gunpowder & Sky/Divulgação

Filmes

Crítica

Verão de 84

Filme tira nostalgia do lugar-comum com mistura de thriller e comédia adolescente

Nicolaos Garófalo
29.08.2019
13h54

Às vezes, parece impossível fugir da onda nostálgica criada pelo sucesso trazido por Stranger Things ainda na sua primeira temporada, em 2015. De lá para cá, séries e filmes como Everything Sucks e Capitã Marvel tentaram recriar o ambiente vivido entre as décadas de 1980 e 1990, com resultados variados. À primeira vista, Verão de 84 parece apenas mais uma produção que procurava se aproveitar do interesse do público por tempos passados, mas a mistura de gêneros e o carisma do elenco dão algo a mais ao longa.

Na trama, quatro adolescentes do subúrbio de Oregon, estado dos EUA, decidem investigar um de seus vizinhos, o policial Wayne Mackey (Rich Sommer), depois que Davey (Graham Verchere) convence o grupo de ele poderia ser “o assassino de Cape May”, serial killer que vinha sequestrando e matando jovens garotos na região.

O tom divertido do começo do filme, mesmo com a atmosfera ameaçadora do criminoso à solta, estabelece Verão de 84 como uma produção coming of age (que foca no crescimento e amadurecimento de protagonistas entre a adolescência e a juventude), com direito a várias características do gênero como a vizinha atraente Nikki (Tiera Skovbe), a obsessão por revistas de pornografia e o consumo de álcool escondido dos pais. Apesar de sabermos da existência do assassino, é difícil não ver a investigação dos jovens como apenas mais uma distração nas férias.

Levar a história para a década de 1980 também não foi só uma jogada de marketing: a tecnologia da época – ou a falta dela – ajuda a criar tanto momentos tensos quanto cômicos, dos problemas nos walkie takies a brigas sobre quem fica com a revista masculina recém-adquirida. Não fossem as referências claramente jogadas nos diálogos, a experiência de imersão ficaria completa.

Outro problema no filme é a falta de consistência de alguns personagens. A personalidade de Nikki, por exemplo, muda completamente entre uma cena e outra e os problemas pessoais dos jovens Woody (Caleb Emery) e Eats (Judah Lewis) aparecem absolutamente do nada.Ainda assim, o longa entrega bem sua proposta original – a mistura de gêneros. Entre um ato e outro, a produção troca de comédia para suspense com facilidade e em momento algum essa mudança parece forçada. A trilha sonora, composta por diversas notas de sintetizador, dão o tom perfeito para cada momento e é quase um personagem à parte.

Grande diferença do filme para Stranger Things, a ameaça humana e realista de Verão de 84 torna o terceiro ato algo verdadeiramente assustador. As cenas após a revelação da identidade serial killer talvez botassem medo até no grupo de jovens de Hawkins, com o diálogo final entre Davey e o assassino sendo capaz de arrepiar até o mais corajoso espectador.

Dirigido pelo trio RKSS, formado por François Simard e Anouk e Yoann-Karl Whissel, Verão de 84 não é necessariamente uma obra-prima e, apesar de algumas ideias mal realizadas, é uma ótima opção para quem quer passar o tempo com um filme divertido.

Nota do Crítico
Bom