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Crítica: Tudo Pode Dar Certo

Woody Allen chama Larry David para ser o Woody Allen da vez. E funciona!

Marcelo Forlani
29.04.2010
17h12
Atualizada em
21.09.2014
14h01
Atualizada em 21.09.2014 às 14h01

Não é todo mundo que gosta de Woody Allen. E certamente é menor ainda o universo dos que curtem Larry David, co-criador de Seinfeld e maior inspiração para o papel de George Constanza, o baixinho careca hipocondríaco que adorava tirar vantagem de todo mundo. E não os culpo. David tem realmente um jeito bastante "peculiar" no trato com as pessoas, como ele mostra na sua série solo, Segura a Onda (Curb Your Enthusiasm), sem dúvida uma das coisas mais politicamente incorretas na TV hoje.

Pois Allen, em um momento de extrema coragem (ou insanidade?), chamou David para ser Boris, o Woody Allen da vez. Um que é ainda mais hipocondríaco (canta "Parabéns a Você" duas vezes quando está lavando as mãos), inseguro e encanado, mas é também mais falastrão, chegando até mesmo a ser agressivo na sinceridade com que trata as outras pessoas. No papel, parece um casamento perfeito, um Woody Allen anabolizado. E é!

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Em um dia, voltando para casa, Boris conhece Melody (Evan Rachel Wood), uma ingênua menina do interior que chegou em Nova York sem conhecer nada nem ninguém. Ela pede um lugar para passar a noite e ganha um mês, que é extendido até ela achar um emprego e acaba virando casamento. Nas suas diferenças os dois se entendem. Ele fala, ela ouve. E repete, mesmo sem saber muito bem o que está dizendo. E assim são felizes.

Até que um dia, do nada, a mãe da garota aparece por lá. Igualmente sulista, desacostumada com a cidade grande e bastante religiosa, ela desaprova o casamento e parte atrás de um partido melhor para a sua filha. Na sua busca, acaba também ampliando os seus horizontes sobre a cidade e si mesma. Caminho que depois será percorrido também pelo pai de Melody, que também chega a Nova York para se descobrir e entender o que é ser feliz.

Boris, que em vários momentos do filme quebra a quarta parede e conversa com o público, diz em uma cena que este não é um filme feito para as pessoas se sentirem bem. Mas, como Melody reflete em outra sequência, o latido dele é mais forte do que a sua mordida. E isso vale tanto para o personagem quanto para o filme, que é, sim, leve e gostoso. Daqueles que você assiste com um sorrisinho no rosto quase que o tempo todo.

David dá ao personagem a coragem de ir além do Woody Allen normal, ultrapassando algumas barreiras do aceitável pela careta sociedade estadunidense. E Evan Rachel Wood está ótima. É impossível não gostar da forma fofa como ela recebe cada crítica e se põe a pensar, sem se deixar abater. Ela é feliz na sua ignorância e não liga para isso.

Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works, 2009) não é o filme que vai fazer você gostar de Woody Allen, nem de Larry David, mas quem já é fã dos dois certamente vai se divertir com as maluquices do personagem principal e dos diálogos de Boris com o mundo.

Saiba onde o filme está passando

Tudo Pode Dar Certo
Whatever Works
Tudo Pode Dar Certo
Whatever Works

Ano: 2009

País: EUA, França

Classificação: 12 anos

Duração: 92 min

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood, Adam Brooks, Michael McKean, Lyle Kanouse, Carolyn McCormick, John Gallagher Jr., Conleth Hill, Nicole Patrick, Patricia Clarkson, Henry Cavill, Olek Krupa, Christopher Evan Welch, Jessica Hecht, Kristen Ruhlin, Yolonda Ross, Samantha Bee, Willa Cuthrell-Tuttleman, Julie Basem

Nota do Crítico
Ótimo