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Crítica: Transformers 2: A Vingança dos Derrotados

Continuação do hit de 2007 é o melhor filme ruim da temporada

Marcelo Hessel
19.06.2009
14h00
Atualizada em
21.09.2014
13h49
Atualizada em 21.09.2014 às 13h49

Por um momento, por alguma razão, chegou-se a pensar que Michael Bay poderia dirigir algo que não fosse um típico filme de Michael Bay. Transformers: A Vingança dos Derrotados traz todo mundo de volta à realidade, na base da porrada. Com cinco minutos de filme já dá pra lembrar da inépcia do diretor de Pearl Harbor, A Ilha, Armageddon e do primeiro Transformers.

Primeiro, quando a narração de Optimus Prime reitera tudo aquilo que já está dito na imagem: os Autobots colaboram com o exército dos EUA em regime de sigilo para impedir que os Decepticons voltem a ameaçar o planeta. Logo em seguida, revemos Sam (Shia LaBeouf), prestes a entrar na faculdade, prestando juras de amor a Mikaela (Megan Fox) - a câmera de Bay circulando o casal em traveling, vai e volta, close-up e música melosa, como se já fosse o clímax dramático do filme.

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O fato é que Bay filma tudo como se fosse clímax, ao longo de 2 horas e 27 minutos de projeção.

Os cacoetes estão todos lá: o herói acenando para um jato em câmera lenta, a donzela em contraluz, a propaganda patriótica do arsenal do exército. Problemas do roteiro do primeiro filme, como as subtramas desconectadas (tinha os hackers e o ministro, tinha Sam, tinha os militares etc.), são remendados da pior forma: colocando todos os personagens numa trama só. Portanto, espere ver os parentes todos de Sam correndo das explosões em slo-mo. É a famosa "diversão para toda a família".

Adicione aí mais uma dezena de robôs e... Bem, não dá pra dizer que os excessos de Transformers 2 são uma surpresa. De Michael Bay não se esperaria diferente. Ao fim da sessão para a impresa, o editor do Omelete Érico Borgo resumiu bem: "Parece que fui estuprado por um robô". Um, não, vários. É o robot gang rape.

O que não deixa de ser interessante para apreciadores do trash e masoquistas em geral. A falta de autocrítica (ou de noção mesmo) dos envolvidos chega a ser encantadora. Num plano, por exemplo, os carros estão atravessando um deserto. No seguinte, a paisagem já muda para cabras e mato rasteiro. Corta, e eles voltam para o deserto. Corta, e eles voltam para o cenário do mato ralo. Por muito menos Ed Wood foi eleito o pior cineasta de todos os tempos.

Continuidade pra quê, afinal? O desapego que Michael Bay tem com qualquer convenção cinematográfica (ou geográfica) que não sejam as suas próprias, trabalhado ao longo de uma uníssona carreira, alcança seu ápice aqui. Lá pelo meio do filme, quando John Turturro já mostrou a bunda e conversou em árabe com o Umpa Lumpa da Fábrica de Chocolate, chego a cogitar que Transformers 2 alcançou uma espécie de perfeição farrelliana, uma epifania do banal, onde tudo trabalha a favor da transgressão da forma e do conteúdo.

Seria genial se fosse uma transgressão consciente, o que não parece ser o caso.

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Nota do Crítico
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