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Crítica

Crítica: Tá Rindo do Quê?

Terceiro filme de Judd Apatow é o mais adulto de sua cinematografia

Érico Borgo
07.01.2010
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h56
Atualizada em 21.09.2014 às 13h56

O inteligente sarcasmo do título original, Funny People, foi bem adaptado por aqui. A frase Tá Rindo do Quê? dá uma boa ideia do que esperar do terceiro filme como diretor de Judd Apatow depois de O Virgem de 40 Anos e Ligeiramente Grávidos.

O midas da comédia, responsável pela produção de quase todos os longas estadunidenses realmente engraçados da última década, retorna aqui com um filme adulto, que faz rir, mas não gargalhar. É difícil achar muita graça da realidade, afinal - e Apatow parece mais interessado em explorar os bastidores da comédia e humanizar os humoristas, que disparar as situações inusitadas pelas quais ficou conhecido. Não há cenas de depilação, perseguições policiais chapadas ou referências culturais pop durante o sexo.

Tá Rindo do Quê?

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O tom do filme lembra mais uma piada de Watchmen, de Alan Moore. Nela, um homem vai ao médico e se diz deprimido. O doutor receita que ele tire uns dias, que vá assistir ao grande palhaço Pagliacci, que está na cidade. "Mas doutor, eu sou o Pagliacci!", responde o homem.

O Pagliacci aqui é Adam Sandler, que interpreta uma versão ficcional distorcida de si mesmo - com direito a raro material de arquivo de sua carreira. Ele é George Simmons, comediante de 42 anos que ganha muito dinheiro com os filmes idiotas que faz, é perseguido pelas mulheres, mas não tem amigos de verdade. Quando George descobre que está doente, parte atrás de um herdeiro na comédia (Seth Rogen) e se convence a ir atrás de um antigo amor (Leslie Mann), agora casada com um machão australiano (Eric Bana).

Tá Rindo do Quê? é pessoal e quase intimista, mas equilibra o sentimento com bom-humor. Mesmo quando as coisas estão tensas há sempre espaço para um alívio cômico - e eles existem aos montes como escapismo para os personagens do filme. Sandler e Rogen, muito contidos, têm os melhores diálogos, mas as piadas mais engraçadas vêm de Jonah Hill e Jason Schwartzman, que vivem os colegas de quarto do personagem de Rogen.

Fracasso de bilheteria - e largado no Brasil direto em home video - o filme deve parte desse insucesso à sua duração. O último ato é arrastado e poderia ser enxugado para acelerar as coisas, mas Apatow não deve ter encontrado forças para tanto. Afinal, sua família (esposa e duas filhas) tem papel de destaque justamente aí. Com isso, vão-se quase 2 horas e meia de tragicomédia, o que afastou o público e deu um nó na cabeça dos distribuidores, que não identificaram um público-alvo claro para o produto. Pena. A mistura de comédia e reflexões sobre a vida, morte, família e carreira merecia destino melhor.

Nota do Crítico
Bom