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Crítica

Crítica: Tá Chovendo Hambúrguer

Animação faz rir e impressiona pela estranheza e exageros

Érico Borgo
01.10.2009
17h00
Atualizada em
02.11.2016
20h01
Atualizada em 02.11.2016 às 20h01

Surtado, criativo e frenético. Tá Chovendo Hambúrguer (Cloudy With a Chance of Meatballs, 2009) é desses desenhos animados de grande orçamento que parecem divertidos e esquisitos demais para terem conseguido espaço nos grandes estúdios, sempre às voltas com fórmulas e receitas de retorno seguro de investimento.

A estranheza começa no design. O filme em 3-D, escrito e dirigido pelos estreantes Phil Lord e Chris Miller, não faz a linha fofa da Disney, nem busca o estilo de uma Pixar ou os cenários arrojados da Dreamworks Animation. Os traços econômicos, tanto de personagens como de objetos e cenários, parecem mais algo saído de um episódio de Os Muppets. É no volume que a produção se destaca.

Tá Chovendo Hambúrguer

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Tá Chovendo Hambúrguer

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Lord e Miller entopem a tela o tempo todo, com multidões e toneladas de comida em cena. As piadas também se acumulam. Recorrentes, fazem rir pela repetição. Note como o macaco Steve fica mais engraçado a cada aparição, ou como os ratos-pássaros conquistam o público alguns poucos quadros por vez. Tudo muito bem amarrado, com relevância à história sem que isso pareça forçado ou previsível. É um texto espertíssimo esse de Tá Chovendo Hamburguer.

Na trama, baseada no livro de Judi e Ron Barrett, um jovem, nerd e fracassado cientista vive com o pai em uma cidade pesqueira situada em uma ilha. Cansado de viver das sardinhas que movimentam a economia local, Flint Lockwood (voz de Bill Hader no original) cria um sintetizador de comida. Basta adicionar água e... pronto! Ele gera a comida que o usuário desejar. Um acidente, porém, coloca a máquina na estratosfera - e Flint, atendendo os desejos da população e do prefeito, começa a fazer chover comida várias vezes ao dia. Mas conforme cresce a montanha de comida desperdiçada, aumenta também a ganância - e a barriga - das pessoas...

Nem tudo é perfeito, claro. As lições de moral e de hábitos alimentares (você esperava outra coisa de um desenho pra crianças em que chove junk food?) são um tanto chatinhas e, perdoe a analogia, acabam constipando um pouco a aventura. Felizmente, os excessos dos cineastas - a mansão de gelatina, as sobrancelhas do pai, o tufão de espaguete, o superexagerado clímax... - agem como um Luftal criativo, fazendo soprar algum benvindo absurdo na comportada produção infantil.

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Nota do Crítico
Bom