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Crítica

Crítica: Robin Hood

Robin Hood Begins peca por roteiro preguiçoso

Érico Borgo
13.05.2010
00h00
Atualizada em
21.09.2014
14h02
Atualizada em 21.09.2014 às 14h02

Quinta colaboração entre o diretor Ridley Scott e o ator Russell Crowe, Robin Hood (2010) tem como claro intuito repetir o sucesso da primeira vez em que os dois trabalharam juntos: o sucesso de crítica e público Gladiador (2000) que colocou Crowe como o general romano Maximus Decimus Meridias.

O novo filme do arqueiro de Nottingham busca um ângulo inédito para as aventuras do herói mítico inglês, nascido nas canções dos bardos no século XIII. A trama, a princípio interessante, acompanha ideias recorrentes nos blockbusters recentes e reconta a origem do fora-da-lei em busca de certo realismo histórico (não se sabe ao certo se Robin sequer existiu).

Robin Hood

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Robin Hood começa durante as cruzadas, com o Rei Ricardo Coração de Leão (Danny Huston) voltando da Palestina, falido, com seu exército. Por onde passam, saqueiam castelos em direção à Inglaterra. Robin Longstride (Russel Crowe) é um de seus arqueiros, sujeito honesto e hábil, que acaba preso ao lado de seus melhores amigos - Will Scarlet (Scott Grimes), Allan A'Dayle (Alan Doyle) e João Pequeno (Kevin Durand) - por falar demais. Mas o destino reserva feitos mais grandiosos ao soldado - e o quarteto foge, apenas para se ver envolvido em um plano de traição que busca a invasão da Inglaterra pelos seus maiores inimigos, os franceses.

Se você sentiu falta da floresta de Sherwood, os órfãos e o "roubar dos ricos para dar as pobres" na sinopse acima, essa é justamente a intenção de Scott e os roteiristas Brian Helgeland, Ethan Reiff e Cyrus Voris. O velho e conhecido Robin, vestido de verde, com chapéu de pena e cercado de seu bando - felizmente, afinal essa história já conhecemos -, não é o herói retratado aqui. Na melhor tradição "Forest Gump" de sujeitos que começam inexpressivos e acabam vivenciando os acontecimentos históricos mais dramáticos de suas épocas, Robin encontra a realeza, torna-se herdeiro de Nottingham, vence batalhas em nome da liberdade dos ingleses...

O grande problema do filme é que ele exige enorme suspensão de descrença. Dá até pra aceitar que o soldado cruzado vá parar aos pés da rainha. Mas ele cruzar meio globo para entrar direto na casa do nobre cego Sir Walter Loxley (Max von Sydow, ótimo), justamente a última pessoa que conhece a história de sua linhagem perdida, é demais. Isoladamente, até daria para relevar. Mas a ideia abre as portas para inúmeras outras coincidências e personagens tirando do éter habilidades que não haviam sido estabelecidas previamente - quando o turrão Robin virou um eloquente discursista? Lady Marion tinha armadura e sabia lutar? - apenas pela conveniência de roteiro.

Ora, o bom roteirista é aquele que resolve seus problemas de maneira a surpreender o público, não o que olha para o lado enquanto elenca suas sequências climáticas obrigatórias do gênero. Até na batalha final há problemas assim. Note como Robin tem que participar de todas as frentes de combate. Ele lidera seus pares, os arqueiros, do alto do penhasco na saraivada que recebe os franceses na costa sul inglesa. Momentos depois está na praia à frente da cavalaria, martelo de guerra em punho, para massacrá-los. E ainda, óbvio, vai encontrar-se cara-a-cara justamente com o grande vilão da história (Mark Strong), no meio do campo de batalha de milhares, para salvar sua honra, seu país e a mocinha (Lady Marion, vivida por Cate Blanchett).

Visualmente, Robin Hood deixa igualmente a desejar, apesar dos ares de milionária superprodução épica. Scott limita-se a repetir o mesmo estilo visual que já havia experimentado em Gladiador e Cruzada. Prova disso é a contratação do diretor de fotografia John Mathieson, que trabalhou nos dois filmes citados, e o burburinho de espanto do público quando sobem os créditos finais, que transformam em belas pinturas algumas cenas do filme (sim, a única surpresa verdadeira é a beleza dos créditos).

Para quem aprecia um território seguro, porém, esse Robin Hood deve funcionar bastante bem. Afinal, Crowe entrega exatamente o tipo de papel que se espera dele: o do macho honrado, que não leva desaforo pra casa, sabe cortar uma cabeça quando é exigido, e tem dentro de si um líder capaz de motivar multidões e derreter o coração de sua amada... ele é mesmo o "Maximus"!

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Nota do Crítico
Regular