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Crítica

Crítica: A Riviera Não é Aqui

Sátira de diferenças regionais é o maior sucesso da história do cinema francês

Érico Borgo
08.04.2010
17h23
Atualizada em
21.09.2014
14h00
Atualizada em 21.09.2014 às 14h00

O humorista francês Dany Boon fez fama em seu país ao satirizar sua região de origem, Nord-Pas-de-Calais, ao norte da França. O local, que fala um peculiar dialeto chamado ch'ti, foi tema de um DVD cômico - com legendas em francês! - em que Boon faz stand-up.

O sucesso foi tão grande que em 2008 Boon escreveu e dirigiu um longa-metragem ficcional sobre o lugar, A Riviera Não é Aqui (Bienvenue chez les Ch'tis). O apelo do comediante deu certo também nas telonas. Só na França 17,4 milhões de pessoas assistiram ao filme, que só não superou Titanic em público por lá.

A riviera não é aqui

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Na trama do filme, para agradar sua esposa deprimida, o diretor de agência de correios Philippe (Kad Merad) tenta uma transferência para a bela e famosa Riviera Francesa. O local é disputadíssimo e ele resolve usar de um contestável subterfúgio para facilitar as coisas. A desastrosa tentativa, porém, resulta em uma "transferência disciplinar" para a desconhecida, fria e chuvosa cidade de Bergues, no norte da França. E Philippe parte, desesperado, em direção à barbárie.

Ainda que deva ter muito mais graça em seu país de origem, pelo sotaque peculiar que só os francófonos percebem (a legenda em português tenta na medida do possível adaptá-lo), A Riviera Não é Aqui consegue ser engraçado também do outro lado do Atlântico. Merad e Boon (que escreveu o roteiro, dirigiu e atua) têm o timing de grandes duplas de humor e as piadas, meio físicas mas em sua maioria centradas nas diferenças culturais e idiomáticas entre o norte e o sul da França, encontram facilmente par nos próprios desentendimentos regionais brasileiros.

A maneira como o humorista dá uma qualidade quase sobrenatural e fantástica a Nord-Pas-de-Calais é engraçadíssima. A sequência em que Philippe vai se consultar com um "tio de prima" que já viveu no norte é genial, assim como as pesquisas de marido e esposa no Google (com direito a "nevoeiro congelante" na previsão do tempo). As lições de idioma, o gradual entendimento da cultura local, a maneira como Boon faz com que o público se apaixona por aquele lugar até então descrito como apavorante, agradam, assim como os momentos mais exagerados - como o trecho da bebedeira durante a ronda das cartas.

Uma maneira interessante de lidar com preconceitos, A Riviera Não é Aqui é tão divertido e universal que não me surpreenderia se uma refilmagem nacional fosse anunciada. Na verdade, eu até gostaria de assisti-la. Troque os queijos fedidos por buchada de bode e teríamos nossas próprias piadas regionais registradas na telona.

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Nota do Crítico
Ótimo