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Crítica

Retratos de Uma Obsessão | Crítica

Robin Williams bem na foto

Marcelo Forlani
05.09.2002, às 00H00
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H13
ATUALIZADA EM 21.09.2014, ÀS 13H13

Fotos são mais do que luz, alguns componentes químicos e pedaços de papel, ou, para os mais modernos, pixels na tela do computador. Elas são a história, a vida de uma ou mais pessoas. São refresco para as memórias de viagens inesquecíveis, amores que acabaram, dias que não voltam mais, mas que ficaram para sempre imortalizados.

Sy (Robin Williams), responsável pelo laboratório fotográfico de uma dessas lojinhas que se vê aos montes nos Estados Unidos, sabe disso e capricha ao máximo no tratamento de seus clientes e, principalmente, nos negativos que eles deixam por lá. Os Yorkin, Nina (Connie Nielsen), seu filho Jake (Dylan Smith) e o marido Will (Michael Vartan), são seus preferidos. Como um anjo da guarda, Sy acompanha bem de perto suas vidas, através dos filmes que eles levam para serem revelados.

Retratos de Uma Obsessão

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Porém, se de um lado do balcão Sy sabe de cor até o endereço onde eles moram, fora dele é conhecido apenas como o cara das fotos (em inglês, a rima é Sy, the photo guy).

A família perfeita e o indivíduo solitário. Estes são os elementos usados pelo diretor e roteirista Mark Romanek (premiado por seus videoclipes Bedtime stories, da Madonna, e Closer, do Nine Inch Nails) para criar um dos melhores suspenses do ano. Tão perfeccionista quanto seu protagonista, Romanek cuidou para que cada detalhe realmente fizesse a diferença. A iluminação serve para enfatizar a diferença entre os três mundos criados na cabeça de Sy, o narrador da história. A loja Savmart tem um colorido quase hiper-realista. Sua casa, toda branca, é fria. E o lar dos Yorkins, cheio de vermelhos e outras cores quentes, não podia ser mais aconchegante. Até mesmo o sobrenome Yorkin é uma brincadeira do diretor com a expressão your kin, que significa seus parentes, referência ao sonho do personagem interpretado por Williams de fazer parte daquela família que ele tanto gosta.

Revelação em poucos minutos

Mas, como sabemos, a perfeição não existe. Aos poucos as aparências vão caindo e os personagens vão se revelando. É a partir daí que Robin Williams começa a brilhar. Mais conhecido pelo seu lado cômico, o ator novamente surpreende num papel dramático. Assim como no recém-lançado Insônia (Insomnia, 2002), ele muda sua voz e até mesmo sua feição. Em Retratos de uma obsessão, porém, ele aparece mais velho do que nunca. Triste. Amargurado. Desesperado.

Vê-lo em cena desta forma é tão fácil quanto entender a obsessão de Sy pelos Yorkin. Nos mais de nove anos em que ele os conhece, viu de tudo. Viu até mais do que deveria. E esse é o grande problema.

Falar mais do que isso estragaria a tensão criada desde o momento que vemos Sy sentado numa daquelas salas usadas para interrogatório. E isso é logo na primeira cena. Sendo assim, tenha um bom filme e tome cuidado com as fotos que você tira. Lembre-se que alguém sempre vai vê-las antes de você.

Retratos de Uma Obsessão
One Hour Photo
Retratos de Uma Obsessão
One Hour Photo

Ano: 2002

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 95 min

Direção: Mark Romanek

Roteiro: Mark Romanek

Elenco: Robin Williams, Connie Nielsen, Michael Vartan, Erin Daniels, Eriq La Salle, Gary Cole, Paul Hansen Kim, Dylan Smith

Nota do Crítico
Ótimo

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