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Crítica

Crítica: Resident Evil 4: Recomeço

3-D faz valer o quarto capítulo da série nos cinemas

Érico Borgo
16.09.2010
19h18
Atualizada em
21.09.2014
14h08
Atualizada em 21.09.2014 às 14h08

Há poucos fãs da série de videogames da Capcom que realmente apreciam as adaptações para o cinema de Resident Evil. A condução de Paul W. S. Anderson - que atuou como produtor e roteirista dos quatro filmes e diretor do primeiro (2002) e deste Resident Evil 4: Recomeço (Resident Evil: Afterlife, 2010) - afinal, jamais prezou por qualquer fidelidade à obra original de Shinji Mikami.

Assistindo aos longas-metragens adaptados, parece que o Anderson gosta é apenas de determinados elementos dos games. Ele pega o visual de personagens, a ideia geral de uma corporação multinacional que experimenta com bioengenharia e as criaturas do jogo e só, revira tudo criando algo próprio. Nem o tom do jogo ele mantém, já que há muito pouco do "horror de sobrevivência" que a série criou nos quatro capítulos da saga nas telonas. Enfim, para fãs do original, Resident Evil não é Resident Evil.

Resident Evil 4: Recomeço

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Resident Evil 4: Recomeço

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Resident Evil 4: Recomeço

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Resident Evil 4: Recomeço

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Não será o mais recente capítulo da saga a mudar isso, mas Resident Evil 4: Recomeço tem suas qualidades. Filmado em 3-D com as câmeras criadas por James Cameron para Avatar, este definitivamente não é mais um caça-níqueis do formato, convertido na pós-produção ou feito às pressas. A sensação de tridimensionalidade e a qualidade cristalina de imagem impressionam. Visivelmente empolgado com o novo brinquedo, Anderson filma belas paisagens e enche a tela de ruído (água, vidros, transparências, grades, poeira) e cenários que valorizam o 3-D. Tem até uma cena submarina. Como o mercado ainda não está saturado, a novidade quando bem realizada ainda impressiona. No IMAX então, o espetáculo fica ainda mais estonteante.

O problema é que tirando a simulação da estereoscopia não sobra muito. O roteiro superficial, depois de resolver as patacoadas clônicas do terceiro filme, limita-se a seguir Alice (Milla Jovovich) em suas jornadas, a de vingança contra a Umbrella Corporation e a busca de sobreviventes da infestação zumbi que alastrou-se anos antes. Encontramos um novo grupo de protagonistas estereotipados, novos traidores surgem, assim como os monstros bacanas. Chris Redfield (Wentworth Miller, conhecido por Prison Break), personagem importantíssimo nos games, também aparece, mas não tem muito o que fazer a não ser dar uns tiros e grunhir algumas frases de efeito. Felizmente, é tudo tão corrido que os defeitos de roteiro você só percebe depois que o filme já acabou.

Outras duas novidades, arrancadas de Resident Evil, o jogo, são o presidente da Umbrella Wesker (Shawn Roberts) e o carrasco "Executioner". O primeiro se move, fala e está igualzinho à sua versão em Resident Evil 5. Já o gigante com saco de pano na cabeça está ótimo, mas é exemplo incontestável do desprendimento a qualquer lógica narrativa de Anderson. O bicho aparece, toca o terror pra cima de todo mundo, ganha uma cena estilosíssima e... pronto. Não se explica o que foi aquilo, quem o mandou, nada. Sua presença ali é mera desculpa para uma sequência de ação que inclui seu machadão voando em direção à plateia.

Ao final da sequência, Alice e Claire (Ali Larter) olham para cima, para a arma cravada no concreto. Cruzam olhares de descrédito e, em silêncio, respiram. Nem elas sabem o que foi aquilo ou se importam. Mas que o machadão impressiona, ninguém contesta.

Nota: Para esta crítica assistimos à versão IMAX 3-D do filme. A versão regular, 2-D, do filme deve perder sensivelmente seu apelo.

Nota do Crítico
Bom