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Crítica

Crítica: Ratatouille

Novo desenho da Pixar é delicioso!

Marcelo Forlani
05.07.2007
15h00
Atualizada em
21.09.2014
13h26
Atualizada em 21.09.2014 às 13h26

Ver um novo projeto da Pixar demanda, entre outras coisas, disciplina. É preciso a certeza de que você estará na sala a tempo de assistir ao curta-metragem que antecede a atração principal. No caso de Ratatouille (2007), o que vem é o divertidíssimo Quase Abduzido (Lifted, de Gary Rysdtrom), cujo título já deixa clara a presença de extra-terrestres e humanos.

Mas este é apenas um aperitivo - e pode ir se acostumando com os trocadilhos culinários! O prato principal é Ratatouille (pronuncia-se ratatúie). O título vem emprestado de um cozido típico da região de Provence, no sul da França, preparado com berinjela, tomate, cebola, pimentão e outros legumes a gosto. O motivo da sua escolha, além da óbvia referência ao personagem principal, um rato (rato, ratatouille, entendeu?), só vai ser conhecido lá no fim, em um dos melhores monólogos da história do cinema, proferido pelo crítico gastronômico Anton Ego (voz original de Peter O'Toole).

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O caminho até esta cena não é fácil, principalmente para Remy (Patton Oswalt), o rato que sonha em ser um grande chef. Na verdade, a história começa longe da capital francesa, em um bucólico sítio onde uma velhinha adora cozinhar, e passa o dia acompanhando o programa do chef Auguste Gusteau (Brad Garret). Dono do Gusteau's, um dos mais renomados restaurantes do mundo, ele sempre pregou o lema de que "todo mundo pode cozinhar". Inspirado nisso, Remy acha que também pode. Mas recebe um choque (ou deveria dizer tiros?) de realidade quando é pego na cozinha da tal velhinha. Ele e os outros ratos têm de fugir correndo e acabam se separando. Sozinho, tudo o que lhe sobra é o livro de receitas e um fantasma (ou alucinação?) do Gusteau, que continua martelando seu bordão de quase auto-ajuda.

A fome e a voz do chef fazem o rato sair do esgoto. Surpresa! Ele está em Paris, Cidade Luz, Capital do Amor e de alguns dos melhores restaurantes do mundo. Quando vê um ajudante de cozinheiro arruinando uma sopa no Gusteau's, Remy se desespera e acaba caindo na cozinha, onde pode finalmente realiar seu sonho e se tornar um dos melhores chefs da cidade.

Porém, como todo mundo sabe, inclusive Remy, um rato nunca é bem-vindo em uma cozinha. E é por isso que Linguini (Lou Romano), o tal ajudante atrapalhado, é também importante na história. O desengonçado rapaz mal consegue segurar uma colher de pau, mas com a ajuda de Remy começa a preparar os melhores pratos da cidade, para o desespero do seu patrão, o diminuto Skinner (Ian "Bilbo" Holm), que assumiu o restaurante após a morte de Gusteau e usa a fama do ex-chef para criar linhas de comidas semiprontas.

O seu grande teste será preparar um prato para o temido Ego, que pode destruir a reputação de um restaurante usando suas ácidas palavras. A esta tensão soma-se pitadas de romance, punhados de comédia física, desentendimentos familiares, perseguições, tensão (não é fácil ser rato, gente!) e, o principal, um caminho de autodescoberta de quem você realmente é. No caso de Remy, um rato! Esqueça o símbolo máximo da Disney, Mickey Mouse. Remy e os demais roedores correm e fazem barulho de rato de verdade, chegando a ser verdadeiramente nojento acompanhá-los andando pela cozinha.

O resultado desta mistura é delicioso. O diretor Brad Bird leva a Pixar mais uma vez para fora do seu mundo de monstros de sonhos, brinquedos que falam, carros irresponsáveis e peixes que se perdem, como já tinha feito ao visitar o mundo dos humanos em Os Incríveis (2004). Como um bom chef de cuisine, ele cria na audiência uma vontade louca de voltar e experimentar mais. Mesmo depois de já ter visto o filme uma vez (na ótima versão dublada em português), voltarei ao cinema para repetir o prato (desta vez na versão legendada) e ainda pedirei para embrulhar um DVD para levar para casa.

Nota do Crítico
Excelente!