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Crítica

Crítica: Quanto Dura o Amor?

Roberto Moreira continua pessimista em segundo longa

Érico Borgo
01.10.2009
17h00
Atualizada em
12.11.2016
09h00
Atualizada em 12.11.2016 às 09h00

A busca de alguém para amar é a motivação dos personagens de Quanto Dura o Amor?, segundo longa-metragem de Roberto Moreira.

O cineasta, que despontou em 2004 com o excelente Contra-Todos, mostra que continua pessimista. Desta vez, porém, seu alvo é justamente essa procura por um final feliz, algo que o roteiro coescrito com Anna Muylaert (Durval Discos) faz parecer impossível em meio às provações da cidade grande.

Quanto Dura o Amor?

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A trama abre com Marina (Silvia Lourenço), garota do interior que vem tentar a sorte como atriz na capital. Aqui, divide apartamento com a advogada Suzana (Maria Clara Spinelli). Não tarda para que as tentações que a noite paulistana apresenta atraiam a moça - e ela, deslumbrada, conhece em uma casa noturna a desapegada cantora Justine (Danni Carlos) e seu namorado (Paulo Vilhena), iniciando um triângulo amoroso.

Enquanto isso, a desconfiada Suzana inicia seu próprio relacionamento com um colega de trabalho (Gustavo Machado), mas segredos de seu passado prejudicam o desenrolar dessa nova história. Há ainda uma terceira - e completamente dispensável - história, a do escritor fracassado Jay (Fábio Herford), apaixonado por uma prostituta (Leilah Moreno). Todos vivem no mesmo edifício, na esquina das avenidas Paulista e Angélica.

São Paulo parece sempre pedir histórias assim. Entra ano, sai ano e a cidade é sempre retratada dessa maneira - um lugar em que apesar das multidões e possibilidades as pessoas seguem sozinhas e melancólicas. O elenco é competente e a fotografia de Marcelo Trotta, que já havia registrado a artificialidade do grande centro em O Signo da Cidade, volta a destacar a noite paulistana com grande beleza. Mas não dá para deixar de pensar em como todas as escolhas criativas do filme não são lá tão criativas assim. Corações partidos, solidão e perdição em megalópoles existem aos montes no cinema. E São Paulo, apesar da imagem que a arte insiste em proliferar, não é só isso. Está mais do que na hora das outras (muitas) qualidades da cidade ganharem espaço no cinema.

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Nota do Crítico
Bom