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Crítica

Crítica: Piranha 3D

Exploitation guloso não deixa sobrar nada para os futuros filmes deslumbrados com o 3D

Marcelo Hessel
21.10.2010
20h00
Atualizada em
03.11.2016
16h06
Atualizada em 03.11.2016 às 16h06

É muito provável, no futuro, que o guloso Piranha 3D seja lembrado como o último título da primeira fase do novo 3D, o período de deslumbramento com a tecnologia. Último porque esgota tudo; o remake do clássico trash de 1978 se empanturra de 3Dxploitation.

A justificativa, para quem se importa: um terremoto abre uma fenda no fundo do Lago Victoria e libera na superfície um cardume de Pygocentrus nattereri que vivia lacrado num bolsão subterrâneo pré-histórico. Como o Lago Victoria está recebendo as férias de primavera, as piranhas não vão morrer de fome.

riley steele

None

kelly brook

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Depois de rápida acomodação, a trama se divide em dois cenários: a orla cheia de estrogênio que o delegado Fallon (Ving Rhames) e a xerife Julie (Elisabeth Shue) tentam controlar; e a lancha afastada onde os três filho de Julie estão encalhados com uma equipe de filmagem pornô. A má influência das atrizes é o único perigo que as crianças correm - é óbvio que o diretor Alexandre Aja não vai trucidar os infantes. De resto, todo e qualquer personagem pode virar carniça em segundos.

Piranha 3D redefine o adjetivo "superficial". Tudo o que importa no filme acontece no primeiro plano saliente, desde os peixes que atravessam a tela até os peitos (e um pênis) apontados para o espectador. Como o filme não foi rodado em 3D, mas convertido ao formato na pós-produção, esse primeiro plano é instável. Muita coisa fica borrada ou chapada, e o efeito funciona melhor no que era mais simples de tridimensionalizar: corpos submersos com o fundo liso da água.

Não por acaso, a cena do filme em que a conversão ficou melhor (a ponto de ser citada sozinha nos créditos finais) é o balé 3D de Riley Steele e Kelly Brook, quando a história basicamente se interrompe para assistirmos ao mergulho das peladas. Se a essência do exploitation é ter consciência da exploração, nada mais justo do que fazer de atrizes pornô as protagonistas da ação.

Dito isso, chega a ser um impacto, mais adiante, já perto do fim, quando Aja fecha o close-up em Jessica Szohr e registra por uns dois segundos o grito da aspirante a scream queen. É como se de repente ele quisesse criar uma identificação nossa com as vítimas - um absurdo. A nossa identificação é com as piranhas (claro) e com o voyeur/diretor de pornô interpretado por Jerry O'Connell, que começa o filme dizendo que vai revolucionar o cinema e termina se contentando com uns peitinhos.

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Nota do Crítico
Regular