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Crítica

Crítica: Par Perfeito

O filme da mulher moderna que fantasia com o perigo mas não larga do conforto

Marcelo Hessel
26.08.2010
17h24
Atualizada em
05.11.2016
07h00
Atualizada em 05.11.2016 às 07h00

Tem filme que dá pra sacar com cinco minutos. A comédia romântica de ação Par Perfeito (Killers) não leva dois: cena dentro de um avião, a aeromoça oferece drinques, e na terceira fala, mais ou menos, a passageira Katherine Heigl já adianta que tem medo de altura, não pode com altas emoções etc. Já sabemos - quem viu um filme com ela viu todos - que Heigl fará a desperate housewife tirada de sua estreita zona de conforto, mas o diretor Robert Luketic faz questão de repisar o óbvio.

É a típica personagem tarja preta, daquelas viciadas em antidepressivo e remédio para emagrecer, que fala por espasmos e que tem "crise" tatuado nos dedos trêmulos da mão. Katherine Heigl é o quarteto de Sex and the City encarnado em si, é o último refúgio no cinema daquele tipo mais reacionário de machismo, o que enxerga mulheres como bombas-relógios à espera de um príncipe com alicate que saiba a diferença entre cortar o fio azul ou o vermelho.

katherine heigl

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Então faz todo o sentido, sob a ótica do retrocesso, que Heigl pegue carona nesse filão estilo Sr. e Sra. Smith. Porque quando Ashton Kutcher entra em cena, no papel do assassino poliglota que se apaixona pela mocinha, ele não é apenas o bofe de peito raspado - ele tem licença para matar! É o perigo em pessoa, o sedutor armado, mas que diz que te ama logo na primeira noite (e na segunda pede pra casar). Eis a síntese do que as Katherines Heigls querem da vida: sonhar com o perigo mas ter certeza do conforto.

Em comparação, Cameron Diaz é a Xena. Faz muito bem ao espírito crítico assistir a Encontro Explosivo antes de se submeter a Par Perfeito. Embora machista, o filme de James Mangold estrelado por Diaz e Tom Cruise tem a noção do ridículo que é defender, no século 21, o retrato medieval dos heróis de lança e das donzelas encasteladas. Encontro Explosivo, com o seu Cruise caricato e uma atriz que sabe rir de si mesma, tira sarro desse herói, enquanto Par Perfeito não apenas o idealiza como também o enquadra.

Nem Ashton Kutcher merecia isso. Katherine Heigl é um buraco negro, absorvendo em Par Perfeito tudo o que há de ruim no imaginário americano, da obsessão doentia por armas à mumificação da consciência feminina (a cena no estacionamento em que ela é fotografada com iluminação de Technicolor como uma Grace Kelly pode transformar espectadores em pedra). Evite.

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Par Perfeito
Killers
Par Perfeito
Killers

Ano: 2010

País: EUA

Classificação: 14 anos

Duração: 93 min

Direção: Robert Luketic

Roteiro: Bob DeRosa, Ted Griffin

Elenco: Katherine Heigl, Ashton Kutcher, Tom Selleck, Catherine O'Hara, Alex Borstein, Katheryn Winnick, Rob Riggle, Kevin Sussman, Martin Mull, Larry Joe Campbell, Lisa Ann Walter, Mary Birdsong, Casey Wilson, Natalina Maggio, Letoya Luckett, Lauren Glazier, Anna Colwell, Elena Kolpachikova, Ric Reitz, Jean-Michel Richaud, Marvin Baldwin Jr., Lukas Delcourt, Yan Dron, Matt Murphy, Michael Daniel Cassady, John Charles

Nota do Crítico
Ruim

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