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Crítica

Crítica: Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

Thriller sueco rodou o mundo e está na mira de Hollywood

Marcelo Forlani
13.05.2010
17h37
Atualizada em
21.09.2014
14h02
Atualizada em 21.09.2014 às 14h02

Homens Odeiam as Mulheres. A Garota da Tatuagem de Dragão. Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Essas são, respectivamente na Suécia, nos Estados Unidos e no Brasil, as traduções para o título do livro sueco Män som hatar kvinnor a primeira parte da trilogia Millenium, de Stieg Larsson (1954-2004). O sucesso dos romances na Europa e Estados Unidos levaram à produção do longa-metragem de 2009, dirigido por Niels Arden Oplev, que foi bem recebido pela crítica e já está na mira de Hollywood.

Oplev segue bastante à risca o texto original e dá ao seu longa o climão de thriller americano criado por Larsson. O primeiro personagem que conhecemos é Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um repórter da fictícia revista Millenium que acaba de ser condenado por difamação contra um poderoso magnata sueco - julgamento este que Mikael tem certeza que foi armado. Antes de cumprir a pena, porém, ele é chamado para investigar um caso de desaparecimento que já dura quase 40 anos. Quem garante que ele tem a ficha limpa é Lisbeth Salander (Noomi Rapace), uma jovem hacker de passado nebuloso que fora contratada para segui-lo e descobrir mais sobre ele.

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

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Mikael, então, viaja para o norte da Suécia, em uma pequena vila, onde mora Henrik Vanger (Sven-Bertil Taube), ex-comandante da empresa familiar que leva seu sobrenome. O objeto da investigação é Harriet, sobrinha de Vanger, que sumiu quando tinha apenas 16 anos, no dia em que o vilarejo estava ilhado depois que um acidente bloqueou a única ponte que liga o continente ao local. Desde pequena, a menina era a preferida de Henrik e no seu aniversário presenteava o tio com uma folha seca prensada. Depois que ela sumiu, ele continua recebendo o presente, o que o fez suspeitar dos membros de sua própria família, pessoas gananciosas e descompensadas.

Mikael está empacado, mas recebe a ajuda à distância de Lisbeth, que em pouco tempo passa a acompanhá-lo em tempo integral. Os conhecimentos da garota e a experiência investigativa do repórter começam a dar resultados e gerar incômodo. E justamente aí o filme perde o seu ritmo. O que vinha numa boa tomada de suspense quase vira um dramalhão de telefilme quando novos fatos vão surgindo, ligando a história até mesmo aos nazistas. E a violência sexual - que antes tinha o seu propósito, ajudando a desenvolver a personagem de Lisbeth e, consequentemente, a trama - se repete além da conta, dando margem à interpretação de que todos os suecos gostam de violentar mulheres, o que certamente não é verdade.

E embora a jovem Noomu Rapace, com sua beleza exótica de mulher que se enfeia propositalmente, se destaque na tela, nem ela é capaz de fazer com que as mais de duas horas de filme passem despercebidas. Todos esses problemas, porém, parece que não incomodam tanto. Tanto é que o filme deve ganhar em breve uma versão hollywoodiana. A boa notícia, pelo menos para quem gosta de bom cinema, é que David Fincher é um dos nomes cotados para comandá-la. E pela primeira vez me empolgo com uma notícia de remake, afinal é sabido que Fincher tem talento e sensibilidade de sobra e, mesmo sabendo que não poderá mudar muito da história, já vale a pena imaginar o bem que ele fará à garota da tatuagem de dragão.

Saiba onde o filme está passando

Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Män Som Hatar Kvinnor
Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Män Som Hatar Kvinnor

Ano: 2009

País: Suécia, Dinamarca

Classificação: 16 anos

Duração: 152 min

Direção: Niels Arden Oplev

Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Lena Endre, Sven-Bertil Taube, Peter Andersson, Peter Haber, Marika Lagercrantz, Tomas Köhler, Gösta Bredefeldt, Björn Granath, Ewa Fröling, Stefan Sauk, Gunnel Lindblom, Willie Andréason, Ingvar Hirdwall, Annika Hallin, Sofia Ledarp, David Dencik, Michalis Koutsogiannakis, Yasmine Garbi

Nota do Crítico
Regular