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Crítica

Crítica: O Último Mestre do Ar

M. Night Shyamalan se afasta mais do espetáculo e inaugura o cinema zen de ação

Marcelo Hessel
19.08.2010
18h52
Atualizada em
21.09.2014
14h06
Atualizada em 21.09.2014 às 14h06

Toda a tradição do showbiz dos Estados Unidos está ligada à ideia de performance, do vaudeville à comédia stand-up. Não é difícil, então, entender por que M. Night Shyamalan tem sido tão espinafrado por lá. Cada vez mais, os filmes do diretor parecem ir contra o princípio do espetáculo.

Evidentemente, Shyamalan colabora com a crucificação - pelo menos desde 2006, quando sua rixa com a Disney serviu de tema de livro e os críticos viraram motivo de piada em A Dama na Água. Se o cineasta já parecia confortável interpretando o papel do autor incompreendido, esse processo se consumou este mês quando o estadunidense de ascendência indiana disse que seus filmes têm "uma sensibilidade europeia" que seus compatriotas não entendem.

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O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010) é defeituoso, independente do continente onde seja exibido, mas está longe de ser o desastre nuclear que a crítica dos EUA pintou. Não dá pra julgar o filme sob a ótica do espetáculo se a sua proposta é o minimalismo e a interiorização. Aliás, nesse ponto, o longa é o avesso da série animada que lhe deu origem, que recorre ao humor o tempo todo, como um escape, para aliviar o peso do arco dramático. (Comparamos o desenho e o filme mais detalhadamente no Da Frigideira.)

A síntese da política antiespetáculo de Shyamalan, se dá pra chamar assim, é a maneira como ele enquadra e coreografa a ação, privilegiando os acontecimentos no segundo plano e a fluidez dos planos-sequências. É uma atitude zen por excelência - a luta de Aang (Noah Ringer) não é contra a Nação do Fogo, mas para superar o luto, encontrar sua paz interior etc. Centralizar o herói no primeiro plano e ver como ele reage (ou como não reage) a tudo o que acontece panoramicamente ao seu redor é o teste que Shyamalan impõe à concentração de Aang.

Fazer cinema zen de ação é uma contradição de termos? Talvez. Mas as escolhas de mise-en-scène têm sua justificativa; é no roteiro que está o ponto fraco. Os filmes anteriores do diretor lidavam com um volume restrito de informações - na verdade, no suspense, o essencial é omiti-las o máximo possível. Já em O Último Mestre do Ar, o primeiro trabalho de Shyamalan com um roteiro adaptado, a quantidade de dados é consideravelmente maior - afinal, toda a primeira temporada do desenho é condensada. No fim, a exposição acaba dominando a cena.

Isso significa que a maioria dos diálogos serve a um propósito funcional: sempre existe alguma informação a ser transmitida, e até na última fala do filme recebemos dados novos. Quem conhece o desenho talvez não se sinta tão perdido na torrente expositiva. Quem não conhece pode sair de O Último Mestre do Ar com a sensação de ter se afogado no didatismo.

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O Último Mestre do Ar
The Last Airbender
O Último Mestre do Ar
The Last Airbender

Ano: 2010

País: EUA

Classificação: 10 anos

Duração: 103 min

Direção: M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Elenco: Noah Ringer, Nicola Peltz, Jackson Rathbone, Dev Patel, Shaun Toub, Aasif Mandvi, Dee Bradley Baker, Ben Cooke, Katharine Houghton, Cliff Curtis, Seychelle Gabriel, Francis Guinan, Damon Gupton, Summer Bishil, Randall Duk Kim, John D'Alonzo, Keong Sim, Roberto Lombardi

Nota do Crítico
Regular

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