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Crítica

O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel | Crítica

Um filme para a todos agradar

Marcelo Forlani
23.12.2001
01h00
Atualizada em
21.09.2014
13h12
Atualizada em 21.09.2014 às 13h12

Muito já foi dito sobre O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel. Na verdade, tudo já foi dito! Basta procurar na Internet e achar críticas, notícias e fofocas a dar com pau. Na verdade, basta vasculhar aqui no Omelete mesmo para saber tudo é preciso para entrar no mundo criado por J.R.R. Tolkien. Mas afinal, o que há de tão especial assim neste filme&qt& Bom, ele foi concebido seguindo fiel, mas não cegamente, o livro homônimo, lançado em 1954. Este é o grande diferencial, por exemplo, em relação ao seu maior concorrente nos cinemas, Harry Potter e a Pedra Filosofal.

O diretor Chris Columbus se limitou a fazer um filme certinho, seguindo parágrafo a parágrafo o texto de J.K. Rowling. Nenhum demérito nisso. Columbus deixou os fãs do menino bruxo felizes, os executivos sorrindo à toa com o sucesso obtido e garantiu o emprego para as seqüências da série.

O Senhor dos Aneis: A Sociedade do Anel

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Enquanto isso, do outro lado do mundo, o até então semi-desconhecido Peter Jackson transformava em realidade o seu sonho de transportar a Terra-média para as telonas. A tarefa era ingrata e o fanatismo que envolve O Senhor dos Anéis meteria medo em muito diretor de prestígio em Hollywood. Num golpe que demonstra toda a audácia do projeto, Jackson conseguiu convencer os engravatados da New Line Cinema a abrirem os cofres. Com US$ 300 milhões nas mãos, ele conseguiu reunir um elenco sem estrelas de cachês exorbitantes, mas muito experiente e difícil de ser criticado. Usando sempre o argumento de que queria ser fanaticamente leal à obra, Jackson convenceu os atores (e também fãs) a filmar toda a trilogia de uma só tacada. Foram 15 meses (um filme normal leva em média 4 meses) na longínqua, porém riquíssima em cenários naturais Nova Zelândia, terra natal do diretor.

Os preparativos da Comitiva do Anel

Era a primeira vez que três filmes inteiros eram filmados sem um intervalo entre eles. (Antes disso, me lembro apenas de De Volta para o Futuro 2 e 3 e Matrix 2 e 3, que também usaram o mesmo recurso.) E esta idéia, apesar de beirar a insanidade (afinal atores geralmente carregam egos inflados), foi a mais acertada. Os personagens vão ganhando experiência de acordo com o andamento dos acontecimentos, o que acontece também com os atores. Isso sem contar as quantias que cada um deles pediria para repetir o papel. Vale lembrar que O Senhor dos Anéis só foi dividido em três partes (A Sociedade do Anel, As Duas Torres e O Retorno do Rei) pela sua complexidade e riqueza de detalhes, pois trata-se, na verdade, de uma única história. É por isso que o diretor e todos os outros fãs aguardam ansiosamente o dia em que poderão passar o dia todo no cinema, assistindo à saga completa.

Para conseguir alcançar seus objetivos, Jackson se assegurou de escolher o que o mercado tinha de melhor seguindo dois requesitos: ser fã de Tolkien e estar dentro do orçamento, que apesar das monstrusas cifras deveria durar os três filmes. A escolha da WETA (a melhor empresa de efeitos da Nova Zelândia) ecoou do outro lado do oceano. Boatos dão conta de que George Lucas declarou que só a Industrial Light and Magic seria capaz de criar a Terra-média. Se o pai de Star Wars realmente falou isso, ele estava errado. Todos os detalhes descritos por Tolkien se tornaram realidade. Os verdes gramados do Condado com as tocas dos hobbits, as caminhadas até as belíssimas Valfenda e Lothlórien, as geladas e traiçoeiras Montanhas Sombrias, os gigantescos labirintos de Minas de Moria e tudo o mais foram recriados com perfeição. Transpor o imaginário das pessoas para a realidade das telas sempre foi um problema para as adaptações dos livros para o cinema ou TV. Por isso, a criação dos orcs era um dos grandes obstáculos para a equipe de produção. Cada pessoa fazia uma idéia diferente dos monstros. A saída encontrata não poderia ser melhor: não existem dois orcs iguais entre os mais de duzentos produzidos.

Para agüentar os 274 dias de filmagens, em que teriam que escalar montanhas, pular, correr e cavalgar, os atores passaram por um rigoroso treinamento físico. Para as lutas, foram contratados especialistas que criaram diferentes modos de combate para cada um dos povos (anões, hobbits, elfos, humanos, orcs, Uruk-Hai, magos e ents, que só aparecerão no próximo filme). O alto nível atingido é provado a cada nova batalha. No MTV Movie Awards de 2000, George Lucas falou que em 2002, o prêmio de melhor luta seria entregue a Samuel L. Jackson, um dos jedis de Star Wars Episódio II - A Guerra dos Clones. A disputa entre Saruman (Christopher Lee) e Gandalf (Ian McKellen) na Torre de Orthanc é estupenda e um baita complicador para que a promessa se torne real.

A longa jornada

Os atores tiveram até que aprender o élfico, linguagem dos elfos, para ajudar a contar a história de Frodo Bolseiro (Elijah Wood). O jovem hobbit recebe de seu primo e tutor Bilbo (Ian Holm) o Um Anel. O objeto foi criado por Sauron, um poderoso ser que quer governar o mundo. Ele foi derrotado há eras e agora ressurge para reaver o seu precioso. A missão de Frodo e seus amigos é destruir o Um Anel e, para isso, terão que andar até Mordor, onde Ele foi construído.

Além dos cenários e figurino perfeitos, o que mais se destaca é a trilha sonora. Não apenas as músicas que remetem ao clima da Terra-média e ajudam a criar o ambiente de tensão e batalhas, mas os sons criados para as aparições dos Cavaleiros Negros e, o que mais chamou atenção, a forma como é mostrada a visão de Frodo quando ele usa o Um Anel. (saiba mais sobre a trilha sonora aqui)

Segundo o próprio diretor, o projeto se tornou realidade porque cada membro do elenco trouxe sua interpretação individual ao papel. Há de se acrescentar que ele mesmo conseguiu um grau de satisfação entre os fãs e os até-então-não-fãs de Tolkien impensável até o momento. A única seqüência que de fato ficou mal explicada foi a parte em que o atrapalhado Pippin (Billy Boyd) e Merry (Dominic Monaghan) se juntam à jorrnada do primo Frodo Bolseiro e o fiel companheiro Sam Gangi (Sean Astin). De resto, todos os papéis se fortaleceram na telona. Aragorn (Viggo Mortensten), Legolas (Orlando Bloom), Gimli (John Rhys-Davies), Boromir (Sean Bean) e, principalmente, Arwen (Liv Tyler), demonstram um caráter mais apurado do que no livro. Jackson fez com que a apresentação de todos eles cativasse o público e criasse a expectativa dos filmes que estréiam nos próximos dois anos. A única que perdeu um pouco do seu poder foi Galadriel (Cate Blanchett). Culpa dos restritos 176 minutos de filme. Mas o tempo na Terra-média deve ser diferente da Terra atual. As três horas de A Sociedade do Anel parecem mais curtas que o normal. Longos serão os doze meses de espera para ver Duas Torres e eternos os dois anos até O Retorno do Rei.

O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel
Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel
Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring

Ano: 2001

País: EUA, Nova Zelândia

Classificação: 12 anos

Duração: 178 min

Direção: Peter Jackson

Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Sean Bean, Christopher Lee, Sean Astin, Billy Boyd, Dominic Monaghan, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Ian Holm, Craig Parker, Lawrence Makoare, Sala Baker, Andy Serkis, Sarah McLeod, Marton Csokas

Nota do Crítico
Excelente!

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