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Crítica

Crítica: O Preço da Traição

Fotogênico thriller erótico de Atom Egoyan trota com muito garbo e nenhum senso de ridículo

Marcelo Hessel
13.05.2010
17h48
Atualizada em
21.09.2014
14h02
Atualizada em 21.09.2014 às 14h02

Nos filmes do diretor Atom Egoyan que flertam com gêneros "baratos" como o thriller erótico, o desejo é o elemento principal. O Preço da Traição tem em comum com Verdade Nua, Exótica, Speaking Parts e O Fio da Inocência uma trama B servindo de base para a discussão dos limites da perversão.

Todo noir clássico lida com a perversão de forma implícita. Ela é, em outras palavras, um efeito natural dessas tramas policiais sobre seduzidos e traídos. Com Egoyan acontece o inverso. Ele se comporta como se colocasse a perversão em primeiro lugar - a escolha da trama, qualquer que seja, está condicionada ao discurso que ele já elegeu de início.

o preço da traição

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Dentro da linha de teoria de cinema que vê os diretores como os principais autores de seus filmes, quando um cineasta pega gêneros populares, como o suspense policial, para inserir questões particulares diz-se que ele é um "sequestrador de gêneros". Egoyan é a prova de que nem sempre esse processo acontece com êxito. Sequestra o thriller erótico para seus altos propósitos, mas superestima o gênero. O Preço da Traição é o típico filme que se leva a sério demais.

Versão canadense do longa francês Nathalie X, O Preço da Traição acompanha uma ginecologista, Catherine (Julianne Moore), que desconfia do adultério de seu marido, o professor David (Liam Neeson). Quer desmascará-lo, e contrata a prostituta Chloe (Amanda Seyfried) para seduzi-lo. Clássica situação pronta a dar em arrependimento.

O diretor egípcio, filho de armênios e canadense de formação, continua filmando mulheres com dedicação especial. Aqui ele tem duas que sabem atuar. Nos close-ups constantes, os olhos verdes de Amanda Seyfried e Julianne Moore se destacam. Do choque entre as duas belezas - separadas por algumas rugas mas ambas dignas, autênticas - O Preço da Traição tira muito de sua limitada potência.

O problema é que a evidente dedicação das atrizes e de Liam Neeson (dá pra perceber quando atores se dedicam e quando atuam no automático) está a serviço de um roteiro fora de lugar. Nas mãos de um Joe Eszterhas O Preço da Traição cairia bem: o roteirista de Instinto Selvagem e Showgirls sabe trabalhar com autoironia. Mas com Egoyan diálogos de duplo sentido como na cena do machucado no joelho ("acha que vai deixar cicatriz?", pergunta Chloe ao "ferir" Catherine) são apenas canastrões.

Entre clichês do thriller erótico (o picador de gelo da vez fica logo evidente no começo do filme) e momentos de humor altamente involuntário (Catherine ter que dormir no sofá na hora em que se invertem os papéis do homem e da mulher é muito esculacho), O Preço da Traição se move adiante com muito garbo e nenhum senso do ridículo.

Saiba onde o filme está passando

O Preço da Traição
Chloe
O Preço da Traição
Chloe

Ano: 2009

País: EUA, Canadá

Classificação: 16 anos

Duração: 96 min

Direção: Atom Egoyan

Roteiro: Anne Fontaine

Elenco: Julianne Moore, Liam Neeson, Amanda Seyfried, Max Thieriot, R. H. Thomson, Nina Dobrev, Mishu Vellani, Julie Khaner, Laura DeCarteret, Tiffany Lyndall-Knight, Meghan Heffern, Arlene Duncan, Tamsen McDonough, Kathryn Kriitmaa, Adam Waxman, Natalie Lisinska

Nota do Crítico
Ruim

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