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Crítica

Crítica: O Lobisomem

Lobisomem vitoriano prova aos demais licantropos quem é o macho-alfa

Érico Borgo
11.02.2010
18h00
Atualizada em
21.09.2014
13h58
Atualizada em 21.09.2014 às 13h58

Hoje em dia, quando as plateias mais jovens conhecem vampiros e lobisomens como rapazes companheiros e amorosos, é reconfortante assistir ao retorno à velha forma de pelo menos uma dessas criaturas nos cinemas. A refilmagem de O Lobisomem, filme de 1941 que marcou época junto aos outros grandes Monstros da Universal, segue à risca em 2010 a cartilha da licantropia.

A trama reinventa situações mas aproveita personagens e o cenário do filme original. Na Inglaterra Vitoriana, o famoso ator dos palcos Larry Talbot (Benicio del Toro) retorna ao castelo de seu pai (Anthony Hopkins), no País de Gales, em busca de seu irmão desaparecido. Ele responde ao apelo da cunhada (Emily Blunt), desesperada por notícias do noivo. Ao terminar sua viagem, porém, ele descobre que chegou tarde - e as circunstâncias que cercam a morte estão cheias de mistério. Larry decide então investigar o caso, mas depara-se com uma antiga maldição em curso, algo que envolve uma mítica e aterradora fera.

Lobisomem

None

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O roteiro de Andrew Kevin Walker e David Self dá mais profundidade à história original de Curt Siodmak, estabelecendo relações entre a maldição e o passado da família Talbot. O diretor Joe Johnston também atualiza o tipo de horror da produção: o que assustava plateias em 1940 não assusta mais hoje em dia. E surpreendentemente o faz com homenagens explícitas ao grande ciclo do cinema de terror, com uma mistura empolgante de cenas clássicas, sequências estilosas modernas, alguns sustos gratuitos e uma boa dose de gore.

Como não poderia deixar de ser, porém, a produção mantém a batida fórmula do interesse romântico - Emily Blunt está lá apenas para que o filme tenha alguma identificação com o público feminino. Ao menos a moça não atrapalha as intenções dos envolvidos: repousar o filme nos talentos de Benicio del Toro e Anthony Hopkins. Todas as interações entre os dois são extremamente carregadas, ora de velada preocupação, ora de tensão descarada.

Ver a dupla trabalhar seria a melhor parte do suspense não fossem as aparições do monstro do título, criado pelo mestre dos efeitos práticos e maquiagem Rick Baker. O falatório de bastidores garante que a produção teve sérios problemas, passando por refilmagens, redesign do visual da criatura e até contratação de montador veterano (o lendário Walter Murch), chamado às pressas para arrumar o trabalho de Johnston e Dennis Virkler.

Não dá pra saber até que ponto esses problemas realmente aconteceram, mas ao menos o resultado é competente. Jamais se nota esse imbróglio todo. O monstro é especialmente fascinante. Anda sobre as pernas, como um homem, e corre feito um lobo. Seu rosto não tem o focinho alongado, consagrado no gênero na década de 1980, e ele passa o tempo todo vestindo as roupas de Talbot, num sinistro amálgama de primata e lupino que remete ao original de 1941.

Em tempos em que lobisomens adolescentes não conseguem passar uma cena sequer sem tirar a camisa para exibir seus abdômens tanquinho, um lobisomem vestido como cavalheiro vitoriano e agindo com a ferocidade e selvageria esperadas de uma criatura desse tipo - eviscerando, decapitando e devorando suas vítimas - é algo mais que benvindo nas telas.

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Nota do Crítico
Ótimo