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Crítica

Crítica: Muita Calma Nessa Hora

Felipe Joffily tenta falar a língua dos jovens nesta comédia que é pura curtição

Marcelo Hessel
11.11.2010
20h15
Atualizada em
21.09.2014
14h11
Atualizada em 21.09.2014 às 14h11

Tentar falar a língua do público jovem, o objetivo do roteirista e diretor Felipe Joffily em Ódiquê?, é também a ambição de seu segundo longa, Muita Calma Nessa Hora. Uma aproximação difícil, que não acontece sem desencontros. Antes de mais nada, é preciso definir que idioma supostamente indecifrável é esse que os jovens falam.

Se for a língua da TV, cuidado. O filme chega com a promessa de reunir "os maiores craques do humor nacional", figuras televisivas como Lúcio Mauro Filho (no bom papel de um chicleteiro) e Marcelo Adnet (numa versão coxinha do Boça), mas todos eles aparecem em participações especiais; alguns, como Sérgio Mallandro, Bruno Mazzeo e Leandro Hassum e Marcos Mion, têm uma cena cada.

muita calma nessa hora

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Muita Calma Nessa Hora está mais para uma comédia-com-sentimento, esse conceito abstrato, parente da auto-ajuda, empregado quando o público alvo é majoritariamente feminino. Gianne Albertoni, Fernanda Souza e Andréia Horta fazem três amigas que viajam para Búzios para tentar apagar o fato de uma delas ter sido traída pelo noivo. No caminho, dão carona para a hippie Estrela (Débora Lamm), que está tentando encontrar o pai.

Joffily faz o possível para ser pop e dinâmico - câmera na mão, close-ups frequentes, música mudando a cada minuto - enquanto filma gente malhada de dentes brancos. Como a produção (ou o arsenal do diretor) não permite explorar muito os cenários (tem uma cena em que temos que confiar na palavra das personagens pra acreditar que o restaurante está vazio), o filme fica parecendo uma Praça é Nossa no calçadão, com senso geográfico zero e encontros casuais a toda hora.

E sempre que os personagens se encontram é uma epifania, uma transformação. O esforço exagerado de Joffily de soar jovem leva a uma overdose de experiência, um deslumbramento quase infantil com a vida, como se o mundo fosse de fato como contam os relatos sensuais da revista Nova. Perto do fim, uma personagem solta: "Quem diria que um fim de semana mudaria tantas coisas na nossa vida". Sem querer ser chato, mas olhando daqui de fora não parece que mudou tanto assim.

Então, recalculando, se você, jovem, procura uma mistura de Sex and the City com Sonho de Verão (mudam as estações e Sérgio Mallandro resiste), talvez esteja um pouco mais perto de se identificar com este filme. Ou melhor: se você é fã do Jota Quest, com suas letras cheias de energia sobre as formas de curtir sobremaneira a vida, Muita Calma Nessa Hora é a sua cara.

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Nota do Crítico
Regular