Minions & Monstros é cinema absoluto — do jeito mais banana possível
Illumination conta história de seus personagens com nova roupagem, mas mesma fórmula
Em um ano com Denis Villeneuve, Christopher Nolan e Steven Spielberg nos cinemas, a maior homenagem à sétima arte veio de onde menos se esperava: o novo filme dos Minions. A franquia da Illumination retornou às telonas com a proposta de recontar a jornada dos personagens através da própria história de Hollywood. O resultado foi Minions & Monstros, uma deliciosa sequência de paródias escolhidas a dedo por Pierre Coffin, que dirige, roteiriza e dubla todos os minions.
No novo filme, vemos mais uma vez os Minions em busca de seu malvado favorito. Os personagens cruzam oceanos e continentes, servindo aos mais variados vilões. Porém, estes encontram o mesmo fim: acabam aniquilados pelas trapalhadas dos amarelinhos. Os culpados são sempre os mesmos: James e Henry. Após uma longa sucessão de fracassos, a dupla briga com o líder do grupo, Dick, e são defendidos pelo musculoso Ed, um Minion surdo. O embate sai do controle e se torna uma briga generalizada. Durante o tumulto, os personagens vislumbram o que seria seu novo mestre. Um vilão de faroeste foge de policiais enquanto tenta pular em um trem em movimento para alcançar a escada de cordas de um avião monomotor.
A cena, que mais parece o clímax de um faroeste qualquer, é exatamente isso. Em sua peregrinação à procura de um malvado, o grupo foi parar na antiga Hollywood, que já estava consolidada como a cidade do cinema. A partir daí, a trama do filme começa a se amarrar pelas trapalhadas dos personagens. Logo, o carisma natural dos Minions toma conta das telonas de Hollywood e da “Bright Brothers Studios”, com James e Henry se tornando as estrelas absolutas da La La Land com acesso ilimitado a bananas e diversão.
Porém, tudo muda quando os filmes passam a ter som, e a falta de letramento dos protagonistas os torna obsoletos para a indústria. Sem trabalho, eles são separados de todo o luxo que conquistaram — até que uma ideia genial surge na mente de James. Em uma noite sem dormir, o personagem tem a sua ideia mais genial: transformar as aventuras seculares dos Minions em um filme intitulado “Minions & Monstros”. Infelizmente para ele, a ideia é rejeitada por Dick e seus companheiros, restando-lhe apenas o apoio de Henry e Ed. Juntos, eles invocam bestas lendárias para servirem como elenco da produção, mas tudo o que vem a seguir é uma aventura para salvar o mundo e, acima de tudo, o cinema.
O mais legal da produção é que cada passo da desventura dos personagens por Hollywood é acompanhado por um aceno ou homenagem à história do cinema americano. Seja em citações diretas como a George Lucas ou Keanu Reeves, recriações de Cidadão Kane e Tempos Modernos, ou até mesmo em acenos mais sutis como a Bolha Assassina, Robocop e Independence Day, o roteiro viaja por todas as eras da sétima arte. Mais do que apenas a piada, fica claro o respeito pela trajetória do cinema e pela Academia do Oscar, que nesse mundo tem uma estatueta de banana de ouro.
Entretanto, por mais bem-intencionado e divertido que o longa-metragem seja, a fórmula segue repetida: Minions fazendo trapalhadas em busca de seu malvado ideal. E não me entenda mal, caro leitor, eu sei bem que fórmulas repetidas fazem mais sucesso com o público infantil - alvo da produção. Mas no momento em que a Illumination escolhe saudar o cinema, há espaço para aprender com a própria indústria e apostar em um filme mais inovador, ou pelo menos diferente.
Ainda assim, Minions & Monstros tem muito a oferecer, tanto para quem ama cinema quanto para quem apenas quer se divertir — e isso é tudo o que alguns filmes precisam ter.
Minions & Monstros
Minions & Monsters
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