Cena de Midway Batalha em Alto Mar/Diamond Films

Créditos da imagem: Diamond Films/Divulgação

Filmes

Crítica

Midway – Batalha em Alto Mar

Belos efeitos e fotografia bem-feita não salvam filme de guerra de roteiro picotado e personagens rasos

Nicolaos Garófalo
18.11.2019
20h00
Atualizada em
18.11.2019
19h33
Atualizada em 18.11.2019 às 19h33

Um dos gêneros mais familiares do público americano, os épicos de guerra são extremamente frequentes em Hollywood, com lançamentos quase anuais que se dividem em concorrentes ao Oscar e tentativas frustradas de homenagear os veteranos do exército americano. Enquanto Sniper Americano, O Resgate do Soldado Ryan, A Hora Mais Escura e Platoon tornaram-se clássicos instantâneos do gênero, longas como Homens de Honra e Pearl Harbor tentaram atrair a mesma reação dos espectadores, mas são lembrados mais pelas críticas negativas do que por seu impacto na indústria. Infelizmente, Midway – Batalha em Alto Mar, produção mais recente a cobrir as consequências do atentado do exército japonês a Pearl Harbor, se encaixa no esquecível segundo grupo, entregando um filme vazio e picotado que desperdiça o talento de um elenco competente.

Apressado para entregar sua primeira cena de ação, Midway mostra em seus primeiros minutos o fatídico ataque japonês à base americana, seguindo um grupo de soldados desesperados para escapar da armadilha inimiga. Embora queira que o espectador torça pela sobrevivência dos militares, o longa se esquece de desenvolver seus personagens, anulando qualquer sentimento que pudesse surgir quando, um a um, os recrutas são atingidos pelos oponentes ou caem no mar de chamas que se forma no lugar dos porta-aviões.

O roteiro de Wes Tooke sofre o tempo todo pela falta de profundidade dada a seus principais personagens, reduzidos a arquétipos clichês do gênero, do novato nervoso ao teimoso general que se recusa a deixar seu batalhão por conta de alguns ferimentos. Mesmo a qualidade do elenco – que conta com nomes como Woody Harrelson, Luke Evans, Dennis Quaid, Patrick Wilson e Aaron Eckhart – é completamente desperdiçada por falas lidas de maneira melhor em inúmeros outros filmes. O roteiro remendado e confuso não dá vez para que os atores se aprofundem nas histórias reais que estão interpretando. Isso sem contar as personagens femininas que, completamente largadas na trama, parecem servir apenas como prova da virilidade dos soldados americanos.

Os problemas da direção desfocada e sem emoção de Roland Emmerich são evidenciados pela atuação de seus protagonistas, especialmente Ed Skrein que, focado demais em esconder seu sotaque britânico para interpretar um soldado americano, entrega uma performance extremamente forçada e sem graça, que não condiz com as situações de vida ou morte que enfrenta no filme.

Além do péssimo retrato das personagens do filme, o longa ainda se cerca de clichês vergonhosos do gênero, como o caça que sai voando do meio das chamas ou o herói que reaparece do horizonte depois de ser dado como morto. Da maneira mais tosca possível, Midway parece ter baseado seu roteiro em uma lista de lugares-comuns, prestando-se mais a proporcionar momentos “heroicos” do que uma história realmente digna de uma projeção de quase duas horas e vinte minutos.

Única parte do filme digna da palavra “épico”, a ação de Midway é de tirar o fôlego e as batalhas aéreas são recriadas com maestria pela equipe de efeitos especiais, que entrega um trabalho tão bom quanto o visto em grandes filmes de ficção-científica ou de super-heróis da última década. Exceção à regra, os confrontos entre os exércitos japonês e americano sobre a ilha que dá nome ao longa se beneficiam do comando frenético de Emmerich, que claramente não sabe o que fazer em cenas em que nada está explodindo. Se o diretor tivesse se permitido cortar alguns personagens para se aprofundar em outros, até mesmo a boa ação seria elevada, já que existiria algum tipo de envolvimento do público com os combatentes em tela.

Absolutamente vazio em seu desenvolvimento e abarrotado de clichês cansativos, Midway – Batalha em Alto Mar não oferece nada além de algumas boas sequências de combate aéreo. Entre atuações fracas e um roteiro praticamente inexistente, os 138 minutos gastos no filme seriam mais bem aproveitados nos vários simuladores de guerra disponíveis para computadores e consoles.

Nota do Crítico
Ruim