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Crítica

Crítica: Marmaduke

Fox adapta mais uma clássica tira animal para as telas - desta vez, com mais lições de moral

Marcelo Hessel
03.06.2010
16h57
Atualizada em
06.11.2016
15h05
Atualizada em 06.11.2016 às 15h05

"Eu sei que é infantil, mas é tudo o que eu tenho", diz o dogue alemão para a câmera depois de soltar gases na cama dos seus donos. É com essa sinceridade meio resignada que Marmaduke - mais um filme da 20th Century Fox enlatado sob a fórmula de Garfield e Alvin e os Esquilos - se apresenta.

O bicho falante de computação gráfica da vez nasceu nas tiras de jornal do cartunista Brad Anderson em 1954. Cão de estimação da família Winslow, o robusto Marmaduke já apareceu também em episódios das animações Heathcliff e Garfield e seus Amigos - em comum, suas histórias sempre lidam com a desproporção do dogue alemão, a mais alta raça de cães do mundo.

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No filme, essa inadequação motiva paralelos com as dores da adolescência. Marmaduke está se mudando do Kansas para a Califórnia porque seu dono ganhou um emprego na costa. A referência irônica a The O.C. logo no começo do filme não poderia ser mais adequada: assim como na série de TV, o protagonista se esforça para ser aceito na comunidade surfista, apesar das diferenças, e se apaixona pela cadela mais bonita da orla, namorada do atlético e popular rottweiler local.

O que se segue é uma típica história edificante, daquelas que ensinam que a família vem sempre em primeiro lugar e que é preciso aceitar quem somos. Como Marmaduke diz, isso é tudo o que ele tem a oferecer. A quantidade de close-ups quando o cão fala é cansativa (precisa mesmo filmá-lo sempre de frente para ressaltar o efeito visual antropomorfista?), mas, bem, pra compensar há um gato que fala com sotaque latino. Vamos com o que temos.

Em comparação, o longa de Tom Dey é mais tradicionalista, quase numa escola Disney de moral, do que Garfield ou Alvin e os Esquilos. Há menos concessões a modinhas (nada de bichos dançando "Single Ladies") e mais previsibilidade comportada (é incrível a quantidade de conflitos que se resolvem em porta de ambulância em Hollywood).

Se você acha que seu filho de seis, sete anos, já tem idade para aprender a lidar com rejeições de adolescente, Marmaduke está aí para ensinar.

Nota do Crítico
Regular