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Crítica

Crítica: Lula - O Filho do Brasil

Cinebiografia sobre o presidente tenta de tudo, mas não empolga

Marcelo Forlani
01.12.2009
02h00
Atualizada em
21.09.2014
13h55
Atualizada em 21.09.2014 às 13h55

Lula - O Filho do Brasil (2009), como o próprio título já deixa bem claro, é uma tentativa nada velada de reproduzir o sucesso de 2 Filhos de Francisco, o mais bem sucedido filme brasileiro nas bilheterias de 2005. Dos dias da miséria no cenário árido à vitória pessoal, sempre guiados por uma figura paternal, tudo está ali. Porém, se 2 Filhos conseguiu romper barreiras de preconceito e emocionar até aqueles que não suportam uma única nota de música sertaneja, Lula não deve repetir tal façanha. Falta ao novo filme do clã Barreto o carisma do atual presidente brasileiro, chamado de "o cara" até por Barack Obama.

Apesar do trailer terminar com a frase de efeito "Você sabe quem é esse homem, mas não conhece a sua história", o próprio vídeo promocional trata de resumir o filme de mais de duas horas em apenas dois minutos e meio: Glória Pires interpreta a mãe de Luiz Inácio e seus irmãos, que saem lá do sertão de Pernambuco, inicialmente em direção a Santos, onde o seu marido vivia com um dos filhos, uma nova esposa e garrafas de pinga. Vem então a mudança para São Bernardo, onde Luiz começa a estudar para ser torneiro mecânico, ganha seu diploma do Senai, perde o dedo da mão esquerda e se casa com Lourdes, sua primeira esposa. Depois de uma tragédia pessoal, ele mergulha de cabeça no sindicato "para não enlouquecer". É nesse ponto que conhece Marisa, sua segunda esposa, lidera a greve dos metalúrgicos e é preso pela ditadura.

Lula - O Filho do Brasil

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E se os fatos principais foram todos apresentados no trailer, o que sobra são lacunas para serem preenchidas - ora repetindo situações que já haviam sido mostradas, ora usando desnecessariamente flashbacks para ter certeza que o público vai entender o sofrimento do Luiz Inácio. E nessas horas a música sobe, escancarando o desespero que o filme tem de desentupir os canais lacrimais dos espectadores, a ponto de eclipsar seus próprios atores e deixar claro que não confia na história de D. Lindu e seus filhos, que já vem repleta de tons dramáticos maiores e mais pesados que qualquer torno mecânico. Sim, você vai se emocionar, porque o filme foi feito para isso, mas também vai sofrer calado com os altos e baixos do roteiro e da realização.

Sem política e sem graça

Quem acompanhou a vida política e sindical de Lula, sabe que ele é um ótimo orador. Com seu discurso simples e persistência ele ganhou a confiança de um povo que até então tinha medo de votar em alguém que também era do povo. No filme, porém, o que mais se vê são discursos curtos e sem força, que logo são seguidos por ovações de "Lula, Lula". A única boa exceção é a assembleia que aconteceu no estádio da Vila Euclides, em que Lula discursou para 100 mil trabalhadores, recriada com requintes de perfeccionismo. Nesta sequência, o ator Rui Ricardo Diaz já está mais gordo e em alguns momentos usa o timbre de voz muito parecido com o de Lula.

Porém, um dos pontos que o filme mais faz questão de tocar é que Lula, apesar de sindicalista, não era comunista, nem sequer esquerdista. Todo o lado político, como a formação do PT e a campanha das Diretas Já, ficou de fora, criando um fim anticlimático. De sua prisão no DEOPS até o discurso de sua posse presendencial há um pulo muito grande e o que deveria ser a maior alegria do filme - afinal era o ponto alto da vida de Lula - acaba ganhando um triste ar nostálgico que vai contra toda a fórmula pregada até então.

Não é escondendo o lado político de Lula que a classe média peessedebista vai se convencer a ir ao cinema. E, pior ainda, talvez a falta desse engajamento afaste também o petista que ainda guarda no fundo da sua gaveta o button com a estrelinha vermelha que um dia significou o sonho de um país mais correto.

Dona Lindu diria para não desistir, para continuar tentando, que uma hora a chance apareceria. Por mim, podemos parar por aqui.

Lula - O Filho do Brasil estreia nos cinemas em 1º de janeiro de 2010

Lula - O Filho do Brasil
Lula - O Filho do Brasil
Lula - O Filho do Brasil
Lula - O Filho do Brasil

Ano: 2009

País: Brasil

Classificação: 12 anos

Duração: 128 min

Direção: Fábio Barreto, Marcelo Santiago

Roteiro: Fernando Bonassi, Denise Paraná, Daniel Tendler

Elenco: Rui Ricardo Diaz, Glória Pires, Juliana Baroni, Cléo Pires, Lucélia Santos, Marcos Cesana, Milhem Cortaz, Antonio Saboia

Nota do Crítico
Regular

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