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Lope | Crítica

Andrucha Waddington troca o Brasil pela Espanha para filmar a história do poeta Lope de Vega

Marcelo Hessel
03.03.2011
18h34
Atualizada em
18.11.2016
18h02
Atualizada em 18.11.2016 às 18h02

Nada mais adequado que o clímax de Lope (2010) aconteça sobre um tablado, com direito a espadachins e bandeirolas em chamas. Em seu primeiro filme fora do Brasil, o diretor Andrucha Waddington (Eu Tu Eles, Casa de Areia) adere aos romances de época com toda a teatralidade que o gênero permite.

A coprodução entre Brasil e Espanha, falada em espanhol, dramatiza o momento da vida do poeta e dramaturgo Félix Lope de Vega (1562-1635), no final do século 16, em que ele retorna da guerra e começa a escrever comédias em Madri como ganha-pão. Vivido no filme por Alberto Ammann, Lope faz o romântico típico: endivida-se em nome de uma ilusão de prosperidade, fabula também um mundo de amores ideais e coleciona desafetos à medida em que dorme com as prometidas dos outros.

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O Lope de Waddington não foge muito do imaginário dos plebeus sinceros que expõem a hipocrisia de seu tempo e conquistam damas com sua sensibilidade. É um pouco Cyrano de Bergerac, vendendo versos para os homens sem talento (no filme, um marquês vivido por Selton Mello com espanhol esforçado e o senso cômico de sempre), um pouco As Aventuras de Molière, para ficar numa cinebiografia recente, com sua obra revolucionária no teatro servindo de pretexto para intrigas de amor.

Lope é, enfim, a versão latina do tipo de filme que Hollywood vez ou outra encomenda a diretores britânicos, preocupados com o academicismo da narrativa e com a solenidade na reconstituição histórica. A câmera do brasileiro, assim como as donzelas, se apaixona por Lope e não vê as falhas que o humanizariam. Escurece ambientes com um tom barroco e dos personagens rasos que criou só consegue enxergar os rostos.

Em momentos como o clímax no tablado, com música grandiloquente e seu herói pendurado no lustre à Errol Flynn, Waddington parece brincar com uma ideia metalinguística: arrisca-se a encenar uma novela de cavalaria, mas sem perder a lucidez do histrionismo e da pieguice inerentes a essas histórias. Infelizmente, são momentos de exceção.

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Nota do Crítico
Regular