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Crítica

Crítica: Lembranças

Drama romântico estrelado por Robert Pattinson esconde lição de moral

Marcelo Forlani
11.03.2010
20h00
Atualizada em
21.09.2014
13h59
Atualizada em 21.09.2014 às 13h59

O paralelo de histeria mais recente do atual fenômeno Robert Pattinson já tem mais de uma década e se chamava DiCapriomania. Estou me referindo à época em que o astro de Titanic estava nas capas de todas as revistas teen e mais diversos especiais do tipo revista-pôster. Eram meninas se descabelando para ver o navio afundando pela quinta, décima, vigésima vez seguida e depois forrando as paredes dos seus quartos com o loirinho que estava de gaiato no navio que bateu no iceberg. A diferença é que DiCaprio já havia provado ao mundo que sabia atuar em um dos seus primeiros trabalhos, Diário de um Adolescente. A Pattinson sobra a dura tarefa de ter de se provar agora.

A primeira tentativa foi o drama indie Uma Vida Sem Regras (2008), em que se auto-embaranga para tentar esconder todo o glitter que usa na saga Crepúsculo. Agora chega a vez de Lembranças (Remember Me, 2010), em que interpreta Tyler Hawkins, um jovem à procura de um rumo na vida antes que siga o caminho do irmão mais velho, que foi tentar trabalhar ao lado do ricaço, controlador e workaholic pai (Pierce Brosnan) em um imponente escritório de advocacia em Nova York e não aguentou.

Lembranças

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Enquanto não acha o tal caminho, Tyler ajuda a cuidar de sua irmã mais nova e arranja confusões na noite da Big Apple. Em um desses dias, dá de cara com o policial pavio-curto Neil Graig (Chris Cooper), que o leva para passar a noite atrás das grades depois de uma provocação e alguns sopapos. Para Tyler, o assunto morreu ali. Para o seu companheiro de apartamento, é necessário uma desforra. É aí que entra Ally Craig (Emilie de Ravin, a Claire, de Lost), filha do sargento e colega deles na NYU, a Universidade de Nova York.

O plano: se insinuar para a menina, deixá-la apaixonada e daí usar isso ao seu favor. Como em qualquer filme romântico em que o protagonista-galã tenta fazer algo errado, é muito fácil imaginar o que vai acontecer, certo? E acontece! Até o mais picareta dos futurólogos consegue prever para onde vai o roteiro escrito pelo estreante Will Fetters. Até que chega a cena final.

Atenção, pequenos spoilers no próximo parágrafo. Se não quiser saber, pule para o último.

Confesso que fui pego de surpresa com a reviravolta final. Mas o inesperado, que geralmente é bom, é utilizado aqui de forma errada. Não precisava transformar um drama romântico em filme panfletário pelo carpe diem, o viva o momento. Não precisava transformar um drama romântico em um veículo para lições de moral (com direito até citação a Gandhi!). É muita apelação!

Ainda não foi dessa vez que Pattinson deixou de ser apenas a "bola da vez". Em um dos poucos momentos em que sua veia dramática se faz necessária, ele leva um banho de Pierce Brosnan, que engole o jovem inglês como costumava fazer com seus inimigos na época em que era James Bond. E, convenhamos, ele nem foi o melhor dos agentes 007.

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Nota do Crítico
Regular