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Crítica

Karatê Kid | Crítica

Refilmagem presta bela homenagem ao original, mas não vai muito além

Marcelo Forlani
26.08.2010
17h44
Atualizada em
21.09.2014
14h07
Atualizada em 21.09.2014 às 14h07

Sabe quando você vai tirar um xerox e algumas partes ficam ilegíveis? Metaforicamente, foi isso o que aconteceu com o roteiro de Karate Kid(2010). Os produtores pegaram o original de 1984, estrelado por Ralph Macchio e Pat Morita, e substituíram os trechos mais apagadas por novos. Assim, mais uma vez vemos um menino seguindo a mãe para uma grande mudança em suas vidas. Chegando lá, sofre para se adaptar e é perseguido por valentões, até encontrar um mestre de artes marciais que vai salvar o seu pescoço e ensiná-lo a lutar - desta vez em um campeonato, não mais nas ruas. Ah e ele conquista o coração da menina por quem se apaixona logo no começo.

As novidades são a troca do descendente de italianos Daniel Larusso (Macchio) pelo afro-descendente Dre Parker (Jaden Smith), que em vez de se mudar da costa leste para a oeste, agora tem que atravessar o Pacífico e viver na China; a substituição do mestre japonês Sr. Miyagi (Morita) pelo chinês Sr. Han (Jackie Chan); e, claro, a maior de todas as trocas, a do karatê que dava o título ao original pelo kung-fu, o que gerou grande comoção entre os fãs oitentistas.

Karate Kid

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As polêmicas, porém, vão sendo abafadas pelas homenagens que a refilmagem faz ao seu original. Da mosca no hashi (o "pauzinho") ao treinamento não convencional, a nova versão soube como satisfazer os fãs antigos ao mesmo tempo que apresenta a franquia a uma nova audiência. Outro acerto do roteiro é não tentar repetir o Sr. Miyagi. O Sr. Han criado por Jackie Chan é um novo personagem e um dos grandes trunfos desta nova versão, pois carrega uma dramaticidade que o personagem de Pat Morita só desenvolveu no segundo filme, quando teve de voltar ao Japão.

Ainda longe da faixa preta em carisma de Jackie Chan ou Will Smith, de quem é filho, Jaden Smith se esforça, sua as tranças e dá seus pulos. Se lhe falta algo, não é determinação. As cenas de seu treinamento nos cenários da China-para-turista-ver podem deixar os mais sedentários cansados no cinema só de olhar. Porém, esta obrigação de mostrar os cartões postais do país e o envolvimento de Dre com a menina Meiying (Wenwen Han) acabam alongando o filme mais do que deveria. Afinal, ainda temos o campeonato.

Quando chega a hora de mostrar que o treinamento de Dre com o Sr. Han não foi em vão é que o filme se perde de vez. A necessidade de atualizar a história e deixá-la atraente ao público tween que se deixou levar pelo clipe da música em que Jaden faz dueto com Justin Bieber, cria mais piruetas e efeitos do que boas lutas. E mesmo havendo um golpe final extremamente plástico, ele não tem a mesma força que o chute da garça. Um dos motivos é que não houve uma preparação do golpe. No original, o movimento havia sido treinado à exaustão por Daniel-San, que, mesmo assim, nunca havia conseguido executá-lo com a precisão necessária até a final.

Karatê Kid, que na China foi rebatizado como Kung Fu Kid e no Japão virou Best Kid, acerta vários de seus golpes, mas peca na hora de acabar com a luta, deixando a polêmica do nome logo esquecida. Como cópia, se sai melhor do que o esperado, mas é certamente mais apagado que o original.

P.S. Se você viu o filme de 1984 diversas vezes, assista ao clipe da música "Sweep the Leg", da banda No More Kings, clicando aqui.

Nota do Crítico
Bom