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Crítica

Crítica: Juno

Jason Reitman, Diablo Cody e Ellen Page fazem o filme independente do ano

Érico Borgo
21.02.2008
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h33
Atualizada em 21.09.2014 às 13h33

A história de Juno (2007) é simples: uma menina esperta acidentalmente engravida de seu melhor amigo, na única noite que passaram juntos. Ela decide entregar o bebê para adoção - e inicia uma convivência com o casal que vai adotá-lo enquanto segue com sua vida cotidiana, agora complicada pela barriga que cresce.

Diablo Cody, roteirista-sensação do momento, blogueira, ex-stripper, ex-operadora de tele-sexo, é dona de um estilo invejável. Os diálogos da menina Juno (Ellen Page) são espertíssimos, ácidos, com uma linguagem elaborada (que a legenda nacional destrói sem qualquer dó) e ao mesmo tempo inocente. Material excepcionamente bom, com um notável equilíbrio entre drama e comédia - e perfeito para o estilo do cineasta Jason Reitman, que havia mostrado as mesmas qualidades em sua estréia no cinema, no igualmente afiado Obrigado Por Fumar.

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Juno é um filme de personagens. A história não tem grandes emoções ou surpresas (bom, tem uma) e nem tem a intenção de ser assim. A relação da personagem com o mundo é o que torna o filme memorável.

Obviamente, esse tipo de estrutura, que deixa a responsabilidade nos ombros dos protagonistas, exige um elenco à altura - e Reitman foi extremamente feliz na seleção do seu. Começando por Ellen Page (a Kitty Pryde de X-Men 3). A menina está simplesmente perfeita como Juno MacGuff, transformando aquelas linhas escritas por Cody em suas. E está em ótima companhia: J.K. Simmons (o J.J. Jameson de Homem-Aranha), Allison Janney (The West Wing), Michael Cera (Superbad), Jennifer Garner (Alias) e Jason Bateman (O Reino)... não há um só elo fraco na corrente e todos parecem partilhar do particular senso de humor da roteirista e do diretor. Sem falar em Olivia Thirlby, que vive a melhor amiga de Juno e dispara as melhores frases do filme.

Particularmente, acredito que o longa só erra ao fazer um juízo errado do "nerd moderno", representado ali por Mark (Bateman). Diablo Cody pode entender perfeitamente o universo feminino, mas faltou uma certa paciência com o pobre Mark - uma coisa que só entende quem, como ele, sofre com reclamações a respeito da pilha de gibis, o volume com que escuta Sonic Youth e precisa assistir ao seu "gorezinho" querido tarde da noite (sim, tomei as dores dele). Mas, novamente, é algo meramente particular, que não prejudica o todo.

Reitman acerta a mão também na trilha sonora - clássicos como Kinks e Buddy Holly dividem espaço com nomes alternativos da cena atual, como Belle & Sebastian e Cat Power, e tem até um Velvet Underground ali pro deleite dos fãs. Sinceramente, nunca imaginei que ouviria a voz de Maureen Tucker, que canta "I'm Sticking with You", na tela grande. A música, aliás, representa a direção da trilha. Tem um "quê" de canção de ninar - perfeito.

Sem exagero, Juno é o tipo de filme que eu gostaria de assistir toda semana. Sensível, honesto, inteligente e bacana como poucos. Um filme sobre comunicação, entendimento e escolhas. Uma nova pérola da cinematografia independente norte-americana, com uma pitada de esquisitice, um jovem herdeiro de Wes Anderson - e esse é o melhor elogio em que eu consigo pensar.

Assista a clipes do filme

Nota do Crítico
Excelente!