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Crítica

Crítica: Hairspray - Em Busca da Fama

John Travolta, Christopher Walken e Michelle Pfeiffer comandam divertido musical

Marcelo Forlani
20.09.2007
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h28
Atualizada em 21.09.2014 às 13h28

Você já assistiu ao vídeo de "Weapon of Choice", do Fatboy Slim, certo? Também já deve ter visto John Travolta em ação pelo menos em Pulp Fiction, né? Então vai entender porque digo que qualquer filme que tenha Christopher Walken e John Travolta dançando merece o meu respeito. Hairspray - Em Busca da Fama (Hairspray, 2007), musical inspirado em peça da Broadway junta os dois como um casal. Sim, você leu certo! O ex-rei da brilhantina aparece aqui travestido como Edna Turnblad, mãe de Tracy Turnblad (Nikki Blonsky), garota que desafia os padrões de beleza vigentes durante os anos 60 e consegue fazer parte de um programa da TV local em que música e dança são mais importantes do que qualquer outra coisa.

A edificante história é uma divertida crítica em que a provinciana cidade de Baltimore representa não apenas a sua própria pequenês e os preconceitos da época, mas consegue se manter atual até hoje. Tudo bem que hoje brancos e negros, magros e gordos podem dividir espaço na TV e nas ruas, mas alguém vai negar a existência de uma divisão - ainda mais invisível - baseada na cor de pele das pessoas?

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Tracy é uma gordinha que todos os dias vai cantando para a escola, passa os minutos olhando o relógio rodar e volta correndo para casa, a tempo de ver o Corny Collins Show. Ela não apenas sabe todas as dancinhas, como é apaixonada por Link Larkin (Zac Efron), o galã do programa e do seu colégio, que logicamente é cortejado pela "rainha do laquê", Amber Von Tussle (Brittany Snow), filha da gerente do canal e ex-miss Baltimore, Velma Von Tussle (Michelle Pfeiffer).

E é por ser loira, linda e sem escrúpulos que Velma Von Tussle não apenas luta contra o dia dedicado às danças e músicas negras, co-apresentado por Motormouth Maybell (Queen Latifah), como também faz de tudo para boicotar Tracy, um insulto à sua esbelteza.

Apesar de situações e falas engraçadas, Hairspray não é uma comédia escrachada, por isso nem adianta ficar esperando o momento em que Tracy vai tropeçar ao dar um salto e se espatifar no chão. Estamos vendo aqui um filme de superação. E aqui vai um aviso: as quase duas horas de projeção podem causar um certo cansaço em quem não gosta do gênero em que a qualquer momento os atores comecam a cantar seus sentimentos. Quem não liga para isso, no entanto, só vai ter motivos para se divertir. A não ser que seja um ativista do Greenpeace, que deve ficar tenso a cada ataque desferido contra a camada de ozônio durante as burrifadas de laquê.

Nota do Crítico
Ótimo