Isabela Moner em Dora e a Cidade Perdida/Nickelodeon Movies

Créditos da imagem: Nickelodeon Movies/Paramount/Divulgação

Filmes

Crítica

Dora e a Cidade Perdida

Aventura diverte novos fãs e acompanha o desenvolvimento de quem cresceu com a animação original

Nicolaos Garófalo
05.11.2019
19h30
Atualizada em
05.11.2019
19h14
Atualizada em 05.11.2019 às 19h14

Uma das animações infantis a mais tempo no ar na TV americana, Dora, a Aventureira já se tornou uma das propriedades mais reconhecíveis da vasta biblioteca de desenhos originais criados pela Nickelodeon. Com diversos produtos licenciados e séries derivadas, parecia uma questão de tempo para que a franquia chegasse aos cinemas. Aproveitando o largo público conquistado pelo desenho nos últimos 19 anos, Dora e a Cidade Perdida dá à personagem-título uma aventura original que homenageia a animação, mas não ignora o amadurecimento do seu público.

Já de cara, o diretor James Bobin resolve a questão de como fazer um filme inspirado em uma série educativa funcionar: ao invés de ignorar completamente as quebras de quarta parede de Dora (Isabela Moner), o longa introduz o conceito como fruto da imaginação fértil de uma criança de seis anos, algo que seus pais, vividos por Michael Peña e Eva Longoria, esperam que passe com o tempo. A cena introdutória é, basicamente, uma separação entre o período mostrado na série e a trama do filme, que se passa dez anos após a animação.

Agora adolescente, Dora parte da selva onde vive para Los Angeles, onde deve passar um tempo com os tios enquanto os pais exploram o Peru em busca da cidade perdida de Parapata, uma nova versão da mítica El Dorado. Na cidade grande, a protagonista reencontra Diego (Jeff Wahlberg), seu primo e ex-companheiro de aventuras que, agora adulto, não compartilha mais do entusiasmo e da imaginação de Dora. Deste ponto em diante, A Cidade Perdida se torna o típico conto de adolescentes tentando se encaixar, com a Aventureira tendo dificuldades em entender os costumes da “tribo da cidade”, já que passou a vida isolada com os pais e animais na floresta. Em pouco tempo, a produção introduz novos personagens, como a dedicada Sammy (Madelaine Madden) e o esquisito Randy (Nicholas Coombe), que acompanham Dora e Diego em uma exploração quando o grupo é sequestrado e levado para o Peru por um grupo de caçadores em busca dos pais de Dora.

Com uma trama já batida para filmes infantis, o filme se beneficia por ter personagens já estabelecidos e queridos na cultura popular. O humor, obviamente, é voltado para crianças e pré-adolescentes, mas não impede adultos de darem risada de situações inusitadas, como a brilhante cena em que Dora, Diego e Alejandro (Eugenio Derbez), um professor universitário amigo dos pais da protagonista, alucinam por conta do pólen tóxico de flores ou a cena em que Botas, o macaco amigo da Aventureira, filosofa em linguagem humana com a voz de Danny Trejo, de Machete

Enquanto o humor e o roteiro fazem o bastante para entreter o público, os efeitos visuais causam um pouco de estranhamento. Em sets cheios de efeitos práticos, os animais feitos a partir de animação se tornam bizarramente artificiais, especialmente o vilão Raposo (Benicio Del Toro). Mesmo se tratando de um filme infantil, o trabalho mal feito na representação dos bichos distrai e fica longe até mesmo dos padrões estabelecidos Space Jam, de 23 anos atrás, ou Uma Cilada Para Roger Rabbit, de 1988.

A boa dinâmica entre os jovens protagonistas, principalmente na relação de Dora com Sammy, faz com que o filme saia do previsível, criando uma boa identidade para A Cidade Perdida, embora alguns personagens fiquem sobrando ao longo da trama, como Randy ou Raposo. Mesmo o pequeno grupo de vilões parece fora de lugar e excessivamente cruel para uma aventura infantil - embora não derramem uma única gota de sangue.

Mesmo que sua história e seus cenários pareçam repetidos e óbvios para os mais velhos, especialmente aqueles que cresceram com os filmes da série Indiana Jones, Dora e a Cidade Perdida cumpre muito bem sua tarefa de entreter o público infantil. A boa ideia de envelhecer as personagens da animação e colocá-los em situações mais verossímeis no primeiro ato ajuda até mesmo adultos a criarem uma ligação com elas, tornando a experiência do filme bem mais agradável do que o esperado de uma adaptação de propriedades infantis. Em nenhum momento com medo de brincar com o material original, o longa é diversão fácil para um dia com a família.

Nota do Crítico
Bom