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Crítica

Crítica: Demolidor - O Homem Sem Medo

Direção medíocre torna esquecível o filme do herói dos quadrinhos

Érico Borgo
13.03.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h13
Atualizada em 21.09.2014 às 13h13

O gênero filmes de super-heróis está sendo explorado a todo o vapor em Hollywood. Naturalmente, com tantas produções em andamento baseadas nas histórias em quadrinhos, começam a surgir as adaptações boas, as ruins e, é claro, as medianas. Demolidor - O Homem sem Medo (Daredevil, de Mark Steven Johnson, 2003) se encaixa perfeitamente na última opção.

Criado em 1964 por Stan Lee (texto) e Bill Everett (arte), a personagem foi desenvolvida no embalo dos sucessos da Marvel Comics, incluindo aí o Homem-Aranha, o Quarteto Fantástico e o Hulk. No competitivo mundo de hoje, não foi necessário tanto tempo entre a estréia do filme do Aranha e o do Demolidor. Bastaram onze meses. Porém, assim como nos gibis, os resultados de ambos foram extremamente distintos.

Demolidor

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Apesar de ser o primeiro filme do herói, os produtores optaram por fugir da clássica abordagem da origem e início de carreira. Na adaptação, o Demolidor já começa veterano no combate ao crime e seu passado é revelado rapidamente por meio de alguns flashbacks.

O jovem Matt Murdock (Scott Terra) é um garoto franzino, atormentado pelos valentões da Cozinha do Inferno. Depois de um acidente com lixo radioativo, perde a visão, mas tem todos os seus outros sentidos ampliados, além de ganhar uma espécie de radar que lhe permite enxergar através das ondas sonoras. Apesar de ser bastante semelhante à origem dos quadrinhos, no filme, diversos elementos foram agrupados ou alterados para deixar a história mais coesa e sucinta. Com tais habilidades, o garoto adquire maior auto-confiança e passa também a treinar seu corpo para se tornar um combatente do crime. Já adulto (e interpretado por Ben Affleck), assume a identidade do audacioso super-herói Demolidor. A decisão, motivada por um trágico evento em seu passado, também influi na carreira profissional de Matt, que acaba se formando em direito.

Dono de um escritório de advocacia que só atende clientes honestos - o que pode parecer mais fantástico do que alguém com um radar na cabeça -, Murdock conta com seu sócio Foggy Nelson (Jon Favreau), com quem divide alguns dos diálogos mais divertidos do filme. Por uma série de coincidências, Matt conhece Elektra Natchios (Jennifer Garner), filha de um magnata grego e treinada em todas as artes marciais. Os dois se apaixonam. Surpreendentemente, descobrimos então que SIM, super-heróis também fazem sexo, o que deve fundir a cabeça de alguns fãs por aí.

Os problemas de Murdock começam quando Elektra torna-se alvo do Rei do Crime (Michael Clarke Duncan), que decide matá-la pela traição de seu pai. Para o trabalho sujo, o criminoso contrata o irlandês Mercenário (Colin Farrell), um exímio assassino, cuja pontaria é certeira e letal...

Demolidor, apesar da boa premissa e talentos envolvidos, não consegue decolar. Na mesma medida em que apresenta boas personagens ou situações, propõe outras tão fracas que acaba equilibrado como uma produção simplesmente comum. Enquanto Farrell, Duncan e Garner empolgam com suas aparições, todas as vezes em que Ben Affleck se manifesta acaba prejudicando o filme. Quem também não ajuda é o roteirista e diretor, que não oferece cenas realmente criativas, além do efeito que mostra o funcionamento do radar do Demolidor. Inexperiência? Talvez. Afinal, Johnson só havia dirigido até aqui Pequeno milagre (Simon Birch, 1998). Não há popularidade super-heróica que salva a mediocridade na direção.

Nota do Crítico
Bom