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Deixa Ela Entrar | Crítica

Filme de vampiro do momento é metáfora para a adolescência (não, não estamos falando de Crepúsculo)

Marcelo Hessel
26.10.2008
18h00
Atualizada em
01.11.2016
22h03
Atualizada em 01.11.2016 às 22h03

A associação do vampirismo com uma idéia de heroísmo e maldição não é nova no cinema, mas o filme sueco Deixa Ela Entrar (Låt den Rätte Komma In, 2008) consegue renovar o gênero - e conquistar fãs em festivais mundo afora - por fazer dessa maldição uma metáfora das dificuldades da adolescência.

Primeiro conhecemos Oskar (Kåre Hedebrant), garoto de 12 anos, cansado de ser saco de pancada na escola, que treina seu revide sozinho no quarto, com uma faca. Quem parece um vampiro aqui é ele: loiro, retraído, branco quase albino, com sangue nos olhos e, descobriremos depois, até uma tendência para o masoquismo. Mas Oskar é só um garoto normal.

Até o dia em que ele conhece Eli (Lina Leandersson), garota que acabou de se mudar para o prédio de Oskar e que chama atenção pela janela do quarto, tapada com papelão. Como Oskar, Eli não é muito de socializar. E ela também tem 12 anos, só que há muito mais tempo. Acabam ficando amigos, no jardim coberto de neve diante do prédio, à noite.

A relação clássica do gênero pressupõe um vampiro secular, ciente do fardo que carrega, e um humano, que, na sua breve e ignorante existência, inveja o poder do outro. É evidente que, ao descobrir que Eli é uma vampira, Oskar não se afastará - pelo contrário. Os acontecimentos seguintes são aqueles que, nesta história de formação, definirão quem Oskar realmente é.

Há toda uma tradição envolvendo o gênero, e o diretor Tomas Alfredson se livra um pouco dessa carga com uma dose de ironia. O pai de Eli só toma leite, o gordo que testemunha os crimes é criador de gatos, o blusão que Oskar veste na casa do pai parece uma capa vermelha de Drácula... Ao adicionar em seu filme realista uma dose de caricatura, Alfredson se permite não levar-se a sério demais.

E cria-se então espaço para fazer um pequeno grande filme. Alfredson tem grande apuro estético no uso do scope - a proporção 2,35:1 de tela é ideal para as paisagens suecas - e à atmosfera gelada adiciona-se um senso de economia na hora de mostrar a vampira em ação. É suspense, enfim, que o diretor procura, e espalhar aos poucos as imagens de terror (como o rosto desfigurado ou a combustão) amplia e valoriza esse suspense.

Deixa Ela Entrar tem seus didatismos - como contaminar a mulher mais velha para mostrar como Eli é heróica na sua luta interior - mas no final prevalecem a bela construção da relação dos dois garotos e as analogias com a adolescência normal (como o complexo de Electra de Eli levado às últimas consequências). Se você é fã de Crespúsculo, em particular, ou de filmes de vampiros, de modo geral, não deixe de assistir.

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Deixa Ela Entrar
Låt den rätte komma in
Deixa Ela Entrar
Låt den rätte komma in

Ano: 2008

País: Suécia

Classificação: 14 anos

Duração: 114 min

Direção: Tomas Alfredson

Roteiro: John Ajvide Lindqvist

Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl, Karin Bergquist, Peter Carlberg, Ika Nord, Mikael Rahm, Karl-Robert Lindgren, Anders T. Peedu, Pale Olofsson, Cayetano Ruiz, Patrik Rydmark, Johan Sömnes, Mikael Erhardsson

Nota do Crítico
Ótimo

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