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Crítica

Crítica: De Repente, Califórnia

Filme inaugura selo de distribuição de filmes LGBT no Brasil

Érico Borgo
04.06.2009
16h00
Atualizada em
05.11.2016
17h03
Atualizada em 05.11.2016 às 17h03

Primeiro filme a chegar ao Brasil pelo Filmes do Mix, selo de distribuição especializado no nicho LGBT, o romance De Repente, Califórnia (Shelter, 2007) pode até ter algum apelo dentro de seu público-alvo, carente de produções que se destinem a ele. No entanto, como cinema, sua relevância é mínima.

A produção independente tem boas soluções visuais, uma fotografia interessante e direção de arte caprichada, mas isso era esperado do diretor estreante Jonah Markowitz, já que cuidar das partes estéticas de filmes era sua função na indústria até a estreia como cineasta. É justamente no equilíbrio entre esse interesse pelo estilo e na necessidade de contar uma boa história que a produção se perde. As longas sequências com música alta, mostrando surfistas, skatistas ou mesmo cenas de cotidiano dão ao longa um tom de videoclipe, denunciando certa falta de assunto.

De Repente, Califórnia

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A trama é superficial. Não fosse o fato do romance envolver dois homens, um dos quais desconhecia seu interesse pelo mesmo sexo, De Repente, Califórnia não traz qualquer novidade ao típico e estruturado "homem conhece mulher - casal se apaixona - obstáculo surge entre eles - clímax de superação" conhecidíssimo do gênero.

A história acompanha o jovem Zach (Trevor Wright), artista urbano que coloca seus sonhos de lado para ajudar a família. Sua irmã, Jeanne (Tina Holmes), é mãe solteira de Cody (Jackson Wurth), criança que tem em Zach sua única figura paterna. A vida do rapaz muda quando surge o escritor Shaun (Brad Rowe) e a amizade casual que surge, inicialmente motivada pelo surf, se desdobra em intimidade.

Por mais que o filme traga algumas lições de tolerância e responsabilidade, superficial como é, jamais conseguirá deixar a esfera para a qual foi realizado. E, convenhamos, não é esse o público que precisa ser convencido que "não há nada de errado com isso", como diria Jerry Seinfeld.

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Nota do Crítico
Regular