Filmes

Crítica

Crítica: Cyrus

Dois solteirões e um adulto infantilizado

Érico Borgo
21.10.2010
01h26
Atualizada em
21.09.2014
14h09
Atualizada em 21.09.2014 às 14h09

Egressos do cinema indie dos EUA, os irmãos Jay e Mark Duplass têm em Cyrus (2010) sua primeira chance de exposição mundial, graças à distribuição da Fox Searchlight, "braço artístico" do estúdio. Isso não significa, no entanto, que tenham deixado pra trás suas raizes independentes.

Apesar da maior abrangência, Cyrus continua um cinema absolutamente cru para os cineastas. Sem excesso estéticos e totalmente centrada em diálogos e personagens, a comédia romântica, ora um tanto dramática (como tantos romances), ora meio tensa (como todos os relacionamentos), narra um curioso triângulo amoroso.

Cyrus

None

Cyrus

None

John C. Reilly vive o divorciado solitário John, sujeito abandonado pela esposa (Catherine Keener) há 7 anos que vê em Molly (Marisa Tomei) sua chance de possível felicidade. Ela, afinal, acha interessante seu jeito meio perdedor e totalmente honesto (ele fala o que pensa - e fala muito). John entrega-se então ao relacionamento e, impaciente como todo homem fica quando acha que encontrou a mulher ideal, acaba apressando as coisas e sendo apresentado ao outro homem da vida de Molly, Cyrus (Jonah Hill), seu filho e "melhor amigo" de 22 anos. As coisas não tardam a ficar cada vez mais estranhas conforme John invade aquele pequeno e perfeito sistema familiar.

Através de atuações de pura entrega em situações um tanto inverossímeis, Cyrus fala de amor em suas formas mais honestas. Ciúme, competitividade, síndrome do ninho vazio e maturidade também estão em pauta. Para o público brasileiro, porém, mais acostumado a filhos que moram com os pais, o filme não deve ter tanto impacto. O personagem Cyrus, afinal, deve parecer uma verdadeira aberração aos olhos dos estadunidenses, que exigem a partida de seus jovens de casa quando chega a faculdade. Mesmo assim, a tal invasão da vida alheia, a integração de existências distintas e o equilíbrio de expectativas em nome de uma vida em conjunto e da possibilidade do amor certamente encontrarão ressonância em qualquer adulto.

Hill, Tomei e Reilly, o trio protagonista, está fantástico, em particular o primeiro. Seu olhar esbugalhado torna impossível qualquer leitura... não se sabe se ele está furioso, afetuoso ou maquinando algo. Até o último momento, Cyrus é imprevisível - algo louvável em um gênero conhecido por suas fórmulas manjadas. Um excelente primeiro passo dos Duplass na direção das grandes produções. O cinema certamente precisa de mais cineastas assim.

Nota do Crítico
Ótimo