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Crítica

Crítica: Choke

Escritor de Clube da Luta tem novo livro adaptado para o cinema

Marcelo Hessel
03.10.2008
00h00
Atualizada em
07.11.2016
22h02
Atualizada em 07.11.2016 às 22h02
A adaptação para as telas de Choke: A Novel

Choke

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(no Brasil, No Sufoco ), romance do cultuado escritor de Clube da Luta , Chuck Palahniuk , é uma aposta certa, pela sua popular mistura de humor politicamente incorreto com cinismo. Mas os livros de Palahniuk são também uma armadilha, com sua variedade de piadas e referências puxando o leitor para longe do fio narrativo central. É fácil perder o foco num filme como Choke (2008), e digamos que o roteirista e diretor estrante Clark Gregg não é nenhum David Fincher .

Gregg é mais conhecido por seu trabalho na televisão. Ele vive o ex-marido de Julia Louis-Dreyfus na sitcom The New Adventures of Old Christine. Nas comédias de situação da televisão se permite perder o foco - afinal, o que importa em cada episódio são as piadas; a narrativa propriamente dita se dá ao longo de uma temporada. Reflexo do tipo de criação a que Gregg está acostumado, Choke é ótimo na hora de contar piadas e fraco na hora de contar histórias. Se Palahniuk apenas flerta com as tentações da comédia fácil, Gregg deixa-se apaixonar completamente por elas.

Em outras palavras, não espere um Clube da Luta. O filme de Fincher era inconsequente, no sentido de não medir suas consequências. Choke é inconsequente no sentido de não ter consequência alguma.

Na trama, Sam Rockwell vive Victor Mancini, um "intérprete histórico", como se autodenominam os atores que vivem personagens dos Estados Unidos colonial em um parque temático. Victor é também viciado em sexo. Ele diz, numa frase típica da "literatura suja" de Palahniuk, que, por pior que seja um boquete, ainda será melhor que a mais bela rosa ou o mais belo pôr-do-sol. Acontece que Victor anda atormentado. Sua mãe doente (Anjelica Huston) veio com uma história de que Victor não é filho de quem ele pensa que é.

Palahniuk parte do tema clássico do Complexo de Édipo para tirar sarro da própria condição edipiana - em que a desgraça de Victor é tão cartunesca que ele engasga com comida de propósito em restaurantes (daí o nome do filme) só para ser salvo por estranhos, "embalado" como um bebê. É, em resumo, um material mais com vocação para a destruição - figurativamente, no sentido de extrair qualquer seriedade desses temas - do que para a construção.

Partindo desse princípio de que o cinismo prevalece, ao menos a parte do humor de Choke vale a pena? Vale, mas tinha potencial para ser mais.

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Nota do Crítico
Bom