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Chicago | Crítica

Musical ecoa o passado

Érico Borgo
06.03.2003
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h13
Atualizada em 21.09.2014 às 13h13

Recordista absoluto de indicações para o Oscar 2003, o musical Chicago (idem, de Rob Marshall, 2002) é fruto do sucesso de Moulin Rouge - Amor em vermelho (Moulin Rouge, de Baz Luhrmann, 2001). O filme estrelado por Nicole Kidman e Ewan McGregor ressucitou o interesse pelos musicais, gênero deixado de lado pelo grande público nas últimas décadas.

Assim como seu antecessor, Chicago é uma adaptação de um musical homônimo de grande sucesso na Broadway. A peça foi adaptada para o cinema por Bill Condon (Deuses e Monstros) e marca a estréia de Rob Marshall na direção de um longa-metragem. Oriundo do teatro, Marshall é um coreógrafo veterano que já participou de grandes produções novaiorquinas, como Victor ou Victoria, Cinderella, O Beijo da Mulher-Aranha e tantas outras.

Chicago

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Em Chicago, Marshall também assina as coreografias que, ao lado dos figurinos de Coleen Atwood e da direção de arte de John Myhre, são o ponto alto do filme. Vale destacar também as participações de John Kander (música) e Fred Ebb (letras), que participaram da criação da peça original, em 1975, junto com o coreógrafo Bob Fosse.

Na história, Roxie Hart (Renée Zellweger) é uma artista que almeja a fama. Para alcançá-la, ela não mede esforços, mesmo que isso signifique trair seu marido (John C. Reilly) com um sujeito que pode apresentá-la a um amigo do amigo de um suposto produtor famoso. Porém, desiludida, Roxie acaba envolvida em um crime e vai para a prisão. O tipo de publicidade que o dinheiro não pode comprar, segundo afirma outra das detentas do local.

Na cadeia, Roxie conhece Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), artista de fama crescente, que assassinou irmã e marido depois de um flagrante de infidelidade. Em sua defesa, Velma conta com o mulherengo e narcisista Billy Flynn (Richard Gere), um advogado especializado em transformar julgamentos de belas mulheres em circos de mídia. Com a ajuda de Mama Morton (Queen Latifah), a corrupta diretora da prisão, Roxie consegue chamar a atenção de Flinn, que concorda em defendê-la em troca de honorários exorbitantes. Da noite para o dia, Roxie torna-se uma estrela encarcerada com toda a atenção da imprensa... para o desgosto de Velma.

No filme, o diretor alterna cenas da vida na prisão com a percepção dos fatos como eles acontecem aos olhos de Roxie Hart. Na cabeça da aspirante a artista, tudo é transformado em um número musical e cada um dos protagonistas canta e dança seus problemas. Nessa realidade, um julgamento vira um número de sapateado, negociações se tornam um tango e a vida, um jazz.

Apesar da boa premissa, das premiações e das indicações do trio de protagonistas ao Oscar, o filme peca pelo excesso de números musicais, que tiram o andamento da história para ceder espaço ao ritmo do jazz. Confesso que achei insuportáveis certas passagens, cujas letras não agregam nenhuma informação ao roteiro, bem como a atuação do canastrão Richard Gere. Já Zellweger canta com voz anasalada, só faz caretas, dubla as músicas fora de sincronia e não consegue ser sexy, coisa que Zeta-Jones não precisa nem se esforçar para conseguir.

Enfim, enquanto Moulin Rouge reinventou um estilo e abriu caminho para outras produções do gênero, Chicago apenas ecoa o passado, cuja falta de renovação acabou por deixar os musicais longe das telas por décadas. Resta torcer para que os próximos (O Fantasma da Ópera já está sendo feito) sejam mais espertos.

Nota do Crítico
Bom