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Crítica

Crítica: Atração Perigosa

Ben Affleck dá em terreno seguro o seu próximo passo como diretor e também ator

Marcelo Hessel
27.09.2010
12h00
Atualizada em
21.09.2014
14h08
Atualizada em 21.09.2014 às 14h08

Ben Affleck quer uma segunda chance. O ator que saiu de Massachusetts para ganhar um Oscar de melhor roteiro original em 1998 por Gênio Indomável já havia passado no teste da direção com Medo da Verdade (2007), mas é agora, com Atração Perigosa (The Town), que Affleck não só dirige como protagoniza, que o desafio se impõe de verdade.

Não por acaso, é uma trama passada em seu estado natal, uma trama de segundas chances. A adaptação do romance The Prince of Thieves, de Chuck Hogan, começa dizendo que nenhuma vizinhança de Boston gera mais assaltantes de banco e carros blindados do que o pequeno bairro de Charlestown. Em Boston, nem todo descendente de irlandês vira policial ou bombeiro. Alguns passam de geração a geração o ofício da contravenção.

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Mas Doug MacRay (Affleck) não quer mais saber disso. Um assalto que termina com uma refém, a gerente de banco Claire (Rebecca Hall), dá início à mudança. Depois do golpe, o bando de Doug descobre que Claire mora em Charlestown, e decidem vigiá-la para impedir a aproximação da polícia ou do FBI. Na vigília, Doug se apaixona por Claire. Se o agente Adam Frawley (Jon Hamm) já estava de olho nos suspeitos, a aproximação entre a testemunha e o chefe dos assaltantes torna as coisas mais interessantes.

Não há nada em Atração Perigosa que seja imprevisível. O arco do bandido arrependido, que decide deixar o seu lugar porque é o lugar a grande má influência, nunca muda. Affleck continua um ator esforçado, com o benefício de ter bons coadjuvantes sob seu comando, como Jeremy Renner, no papel (também compulsório) do melhor amigo porra-louca que segue tragando o protagonista de volta ao crime, ou Blake Lively, como a antiga namorada que fisicamente incorpora todos os hábitos corrompidos de que Doug deseja se livrar.

Ressalvas feitas, Ben Affleck se mostra um competente diretor de cenas de ação (ainda que o vício dos filmes de assalto de cometer sempre um último golpe torne Atração Perigosa um pouco mais longo do que deveria) e tem obviamente, por afinidade, um bom olho para filmar Boston, seus rostos e seus sotaques. A influência católica na cidade se faz sentir sem ser pesada (na reunião dos narcóticos anônimos, nos disfarces de freira) e a forma esperta como a história prévia é revelada - em dois níveis colados, primeiro Doug falando de sua família a Claire, depois o FBI expondo o "lado B", com a ficha corrida da família - não deixa a narrativa se banalizar.

Atração Perigosa chega ao fim com dignidade. Affleck não é nenhum Don Siegel, um Martin Scorsese ou um Michael Mann, mas em suas mãos - assim como esses diretores souberam dar vida a San Francisco, Nova York e Los Angeles em seus policiais - Boston é um canteiro fértil.

Nota do Crítico
Bom