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Crítica

Crítica: Amor à Distância

Comédia romântica acerta ao tomar consciência e se apossar dos clichês do gênero

Carina Toledo
09.09.2010
17h41
Atualizada em
21.09.2014
14h07
Atualizada em 21.09.2014 às 14h07

Em Amor à Distância (Going the Distance, 2010), um improvável casal se conhece discutindo por causa do game Centipede. Garrett (Justin Long) estragou o jogo de Erin (Drew Barrymore) logo quando ela estava prestes a bater seu próprio recorde. A irritação inicial na demora a se transformar em empatia, rendendo algumas cervejas, maconha no bong na casa de Garret e, pouco depois, sexo, café da manhã e um novo amor. No entanto, o romance tem um prazo de validade, já que em seis semanas Erin deixará Nova York e retornará a São Francisco para terminar a faculdade em Stanford. A partir daí, assistimos o casal enfrentar a saudade, fusos horários, conversas pela internet, telefonemas, muitas mensagens SMS e familiares pessimistas, tudo para tentar manter o relacionamento.

O interessante de Amor à Distância é a consciência que o filme tem de sua condição de comédia romântica, usando os clichês do gênero a seu favor. A diretora Nanette Burstein faz a típica cena do primeiro beijo render boas risadas ao combiná-la com a música romântica de Top Gun "Take My Breath Away", introduzida no roteiro pelo colega de apartamento de Garret, que insiste em brincar de DJ nas transas do amigo - afinal, dá para ouvir tudo pelas paredes de qualquer maneira, então por que não fazer intervenções?

Amor à distância

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No entanto, o filme perde muito de seu encanto quando, ao invés de uma ideia ou inspiração artística, enxergamos por trás de sua história um plano de marketing. Com tantos lançamentos concorrentes, os produtores souberam entender muito bem o público que vai ao cinema atrás do gênero - e o resultado funciona. Para os namorados que irão arrastados ao cinema para agradar a namorada, há as cenas cômicas envolvendo Garret e seus dois melhores amigos Dan (Charlie Day) e Box (Jason Sudeikis). Além disso, a classificação estária de 14 anos permite o uso de palavrões, um pouco de nudez e alguns diálogos sobre sexo que, apesar de desnecessários, são mais próximos daquilo que realmente é conversado entre mulheres. Para as garotas, temos uma mocinha de fácil identificação e Erin é a "perdedora" que quebrou o cronograma padrão da vida estadunidense e, aos 30 anos, ainda se encontra nos passos iniciais de sua carreira.

Amor à Distância é uma comédia romântica plausível e seu desfecho é bem acertado, sem príncipe encantado ou anulação feminina em prol do amor. Assim até que não fica difícil acreditar no final feliz.

Nota do Crítico
Bom