Imagem promocional de A Família Addams/Universal Pictures

Créditos da imagem: Universal Pictures/Divulgação

Filmes

Crítica

A Família Addams

Humor inocente diverte, mas mensagem sobre identidade é entregue de maneira corrida em história sem vida

Nicolaos Garófalo
30.10.2019
20h15
Atualizada em
31.10.2019
10h20
Atualizada em 31.10.2019 às 10h20

Inspirada nas tirinhas criadas por Charles Addams nos anos 1930, a franquia A Família Addams sempre se apoiou em um humor mórbido e trocadilhos irreverentes relacionados às normas comuns da sociedade, seja nos quadrinhos originais, na adaptação para a TV da década de 1960 ou nos filmes de 1991 e 1993. Na nova animação, que será lançada em 31 de outubro, a premissa que torna a estranha família uma marca popular com o público continua presente, apesar do gosto de prato requentado.

Introduzida com uma rápida história de origem, a trama mostra o casamente de Gomez (dublado na versão original por Oscar Isaac) e Mortícia (Charlize Theron) e sua rápida fuga após aldeões amedrontados decidirem expulsá-los da cidade onde vivem. O momento serve apenas para (re)apresentar alguns personagens, como Vovó Addams (Bette Midler), Tio Chico (Nick Kroll) e o mordomo Tropeço (Conrad Vernon, que também dá voz ao espírito da casa).

A animação, que assustou fãs acostumados com as adaptações live-action, remete visualmente aos desenhos de Addams, mas os movimentos dos personagens digitais são aflitivos, com uma computação gráfica muito aquém do que um estúdio do tamanho da Universal é capaz de produzir. Os problemas da animação ficam ainda mais visíveis no final do segundo ato, quando a família dança durante uma festa na mansão mal-assombrada, fazendo com que alguns personagens pareçam bonecos de borracha.

A história, centrada em Wandinha (Chloë Grace Moretz) querendo explorar a nova cidade construída no lugar do pântano da região e Feioso (Finn Wolfhard) precisando passar por uma espécie de bar-mitzvah para ser considerado oficialmente membro de sua família, é incapaz de cativar. O filme divide seus curtos 86 minutos mostrando os irmãos divididos entre expor suas identidades e se encaixar nos moldes de sua família, em uma história repetida tantas vezes nos últimos anos que chega a ser cansativo chamá-la de clichê. A obviedade da resolução de ambas as tramas é gritante e tornaria o longa tedioso se não fosse pela filha mais velha da família.

Wandinha é, assim como a versão interpretada por Christina Ricci nos anos 1990, o coração do filme. Sua crise de rebeldia adolescente, contrária à da maioria das crianças de sua idade, diverte. Ver a personagem usar um vestido rosa ou enfrentar, em seu primeiro dia de aula, a valentona da escola com sua expressão blasé será sempre capaz de arrancar um sorriso até do mais carrancudo espectador.

O humor, aliás, é o ponto de salvação de A Família Addams. Da capacidade musical de Tropeço aos (vários) trocadilhos de Gomez, a animação cria momentos legítimos de risada ao mostrar a maneira bizarra com que a família vê a sociedade. Os momentos mais divertidos são, aliás, os mais inocentes, como o quase afônico mordomo entoando uma canção do R.E.M. ou a boa referência a It: a Coisa feita no final do primeiro ato.

Apesar de sua história sem graça e da resolução previsível, A Família Addams encontra redenção em um roteiro com um humor típico da franquia que deve agradar tanto fãs antigos quanto crianças. Ainda assim, a animação é esquecível e depende de um bom desempenho de sua sequência, confirmada para 2021, para se tornar uma entrada digna no legado de Charles Addams.

Nota do Crítico
Regular