Crime Sem Saída

Créditos da imagem: Crime Sem Saída/Divulgação

Filmes

Crítica

Crime Sem Saída

Carisma de Chadwick Boseman sustenta ação policial banal mas emocionante

Julia Sabbaga
06.04.2020
16h17

Crime Sem Saída, ação policial com Chadwick Boseman (Pantera Negra) e produzida pelos Irmãos Russo (Vingadores: Ultimato), parece ter uma fórmula que apelaria para o público do MCU. Mas a estreia do diretor Brian Kirk (Game Of Thrones, Luther) nas telonas se assemelha mais aos códigos de faroestes e thrillers dos anos 90 do que os de qualquer filme de super-herói atual. Aqui, o Pantera Negra luta contra o tempo e a corrupção em um filme que, apesar de falho, lhe dá o terreno para exibir o carisma e o potencial para liderar uma franquia policial só sua. 

No longa, Boseman interpreta Andre Davis, um detetive encarregado de capturar uma dupla de ladrões que assassinou oito policiais durante um roubo de cocaína. Começando um jogo de gato e rato, Davis ordena o bloqueio das 21 pontes que entram e saem de Manhattan, e persegue os criminosos lentamente descobrindo uma trilha de corrupção na própria NYPD. Sem grande originalidade narrativa, e esquecendo-se da premissa do bloqueio rapidamente, Crime Sem Saída tem diversas chances de fracassar, mas não o faz. Ele se sustenta em um passo rápido e emocionante, sem pretensão de grandiosidade ou manipulação da audiência.  

Ao passo que a trama se desenvolve, o público participa do trabalho de detetive junto a Davis, e torce por uma resolução bem-sucedida, inspirado pela liderança íntegra e inabalável do protagonista, que remete aos heróis de faroeste. O espectador é apresentado ao passado e à família de Davis, e apesar dos fatores não alterarem o rumo da história, eles constroem um protagonista cativante, sem o qual o filme não se sustentaria. Com um trabalho bem-feito de conquistar o espectador, as longas perseguições de Crime Sem Saída funcionam não só apostando na ação como na emoção. 

Muito pode ser falado sobre a crítica à corrupção policial que o filme parece fazer, mas é possível entender a obra de Kirk como algo muito mais sutil. Por mais que a temática seja uma peça central, ela se apresenta muito mais como parte da trama, uma questão a ser tratada, do que como sua tese geral. A presença de um racismo estrutural no contexto da NYPD - manifestado principalmente nos trejeitos de Boseman - soa muito mais perto da crítica intencional.  

Com o auxílio de uma trilha sonora certeira (de Henry Jackman e Alex Belcher) e quase nostálgica, Crime Sem Saída dispensa reviravoltas e um final épico, apostando mais na ligação entre o público e herói que dá certo. Nada disso seria possível sem um protagonista como Boseman, ainda mais auxiliado por uma interpretação memorável de Stephan James como um dos ladrões. Não à toa, a cena em que os dois se encontram frente a frente é a melhor do filme, e faz até com que o sotaque inexplicável de Sienna Miller ou os deslizes estúpidos de vilões pareçam irrelevantes.

Nota do Crítico
Bom