Creed II

Créditos da imagem: Warner/Divulgação

Filmes

Crítica

Creed II

Relação entre pais e filhos vira o foco do filme, que vai emocionar especialmente fãs da franquia

Fábio de Souza Gomes
24.01.2019
12h11
Atualizada em
24.01.2019
12h28
Atualizada em 24.01.2019 às 12h28

Creed II é uma sequência espiritual de Rocky IV, mas conta com um foco completamente diferente. Enquanto o longa original era uma grande propaganda sobre a Guerra Fria e mostrava a rivalidade entre EUA e Rússia, o longa deixa tudo isso de lado e foca na relação entre pais e filhos com destaque para três personagens: Adonis, Rocky e Ivan Drago.

O filme revela que o boxeador ainda tem dificuldade de se afastar da sombra de seu pai, Apollo Creed (que é considerado o maior lutador desse universo cinematográfico), e, não bastando, ainda tem de começar uma nova vida ao lado de Bianca – cuja a própria jornada renderia um filme próprio. A química entre Michael B. Jordan e Tessa Thompson é o grande motor do filme e os dois precisam lidar com uma nova criança que entra em cena para levar essa relação para um novo patamar. Contudo, mais uma vez, ele conta com a ajuda de Rocky para superar esses problemas.

Balboa assume de vez como a figura paterna do jovem Creed. Ao longo do filme, vemos que ele não apenas treina o garoto para o ringue, mas o treina também para a vida – dando conselhos de relacionamento e, também, sobre paternidade. Contudo, ao mesmo tempo que faz isso, ele vê o abismo entre ele e seu filho Robert ficar ainda maior e a grande jornada do ex-boxeador é entender como melhorar sua relação com o seu filho de sangue. Stallone entrega mais uma vez uma atuação repleta de história, uma vez que tudo que sai de sua boca traz consigo o peso do passado que grande parte do público conhece tão bem. Porém, desta vez ele não é o grande destaque do filme que fica com seu antigo rival, Ivan Drago.

Ao contrário de sua primeira aparição na franquia, onde era uma espécie de robô russo maléfico, agora o personagem de Dolph Lundgren ganha uma humanidade que até então não havia sido explorada no personagem. Ele está quebrado, a derrota para Balboa fez com que ele perdesse tudo e, mesmo assim, ele tenta se manter altivo e quer transformar seu filho no mesmo “robô sem sentimentos” que um dia ele foi – apesar do lutador ser bem diferente disso. Ele vê Viktor apenas como uma forma de redenção pessoal e não consegue mostrar seu verdadeiro amor pelo filho. Essa se torna uma das relações mais interessantes do filme que, acima de tudo, conta com diversas citações ao passado da franquia.

Assim como o primeiro longa, Creed II conta com referências que são um prato cheio para fãs da saga. Além de contar com o retorno de personagens, a fotografia também tenta espelhar esses momentos, como o treinamento de Adonis no deserto (um espelho para o treinamento de Rocky na neve no quarto filme). O longa cria situações de familiaridade para o público, mas isso pode incomodar alguns espectadores.

O roteiro conta com uma fórmula muito conhecida de filmes de superação que pode incomodar alguns espectadores mais atentos que vão rapidamente entender como será o desenvolvimento da história. Ao mesmo tempo, o diretor Steven Caple Jr. assume no lugar de Ryan Coogler (que trabalhou apenas como produtor) e o cineasta decidiu não arriscar, pois muitas cenas parecem tentar emular o estilo de Coogler. Contudo, esse é apenas um detalhe pequeno pois o filme consegue emocionar tanto fãs da franquia quanto novos espectadores. 

Creed II conta com uma fórmula clássica de filmes de esporte, mas mesmo assim o drama por trás disso tudo é tão forte que o filme encanta mesmo com o espectador “descobrindo” a história antes da hora. 

Nota do Crítico
Ótimo