Coringa

Créditos da imagem: Warner/Divulgação

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Crítica

Coringa

Joaquin Phoenix apresenta mais uma atuação icônica do personagem em um filme surpreendente, assustador e cativante

Fábio de Souza Gomes
31.08.2019
20h02
Atualizada em
12.09.2019
17h19
Atualizada em 12.09.2019 às 17h19

Coringa é um filme único. O longa mostra um estudo de personagem sobre um dos maiores vilões da história em quadrinhos e Joaquin Phoenix entrega uma das melhores atuações do ano em uma produção que equilibra muito bem o humor sombrio com o drama.

O filme decide dar uma identidade para o Coringa e segue a história de Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), um homem lutando para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Trabalhando como palhaço durante o dia, ele tenta a sorte como comediante de stand-up à noite.

Todd Phillips acertadamente decidiu situar a história entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80. O diretor queria evitar qualquer tipo de conexão com outros heróis e, com isso, evitou referências a outros universos e até mesmo outros personagens do universo do Batman. Além de Gotham City e da Família Wayne, o longa não faz nenhuma grande referência a outro personagem da DC Comics. No fim das contas, o maior vitorioso é o próprio filme, que pôde focar somente em seu personagem principal – o Coringa.

Esse é um dos vilões mais interessantes da história dos quadrinhos. Já vimos uma versão anarquista e calculista com Heath Leadger, uma versão infantil com Cesar Romero nos anos 60 e cada ator que passou pelo personagem conseguiu criar uma versão singular. Joaquin Phoenix não é uma exceção à regra. O ator entrega um personagem mais instável, louco e com uma inocência macabra. O mais interessante é perceber como ele trabalha a risada de uma maneira singular. Logo no início, ele explica que tem um problema psicológico que o faz rir em momentos inapropriados (um problema que realmente existe e é chamado de afeto pseudobulbar), mas essa não é a única risada do personagem. Cada uma delas tem um motivo e reforça o estado de espírito do Coringa no momento: seja ele tentando agradar uma pessoa, seja ele se divertindo em momentos inapropriados, rindo de nervoso... são risadas únicas e o Phoenix consegue fazer algo que ainda não havíamos visto tão bem feito no cinema.

O ator tem uma fisicalidade que é fundamental para o papel e guia a história com maestria. No começo, parece que veremos uma história de origem tradicional – onde o mundo massacra esse homem até quebra-lo. Mas esse é um filme do Coringa.

O longa usa a loucura do personagem como um recurso narrativo e nada é exatamente o que parece. Isso mostra principalmente a liberdade que a Warner deu para Philipps (que também é roteirista), pois o longa não é baseado em nenhuma HQ clássica. Há referências a alguns momentos históricos como o sonho de trabalhar com stand-up de A Piada Mortal, mas as referências principais não estão nos quadrinhos, mas no cinema dos anos 70.

O filme usa como base filmes de estudo de personagem como clássicos como Rede de Intrigas, Dia de Cão, Taxi Driver e, especialmente, Rei da Comédia. Desde a participação de Robert De Niro (que no filme de Scorsese vivia um comediante fracassado que tentava participar de todo jeito de um programa de talk show e, agora, vive justamente o apresentador do talk show principal de Gotham) até o esquema de cores do figurino que conversa com cenário. Esses clássicos estão muito mais presentes no filme do que as HQ e isso talvez cause estranhamento em fãs mais antigos.

Esse é um filme singular. Ele é um drama para maiores de 18 anos, nos EUA, que é um estudo sobre a loucura e a sociedade. Não espere ver um filme do gênero de herói normal, pois o filme convida para um experiência diferente, mas que definitivamente vale a pena.

Coringa é um daqueles filmes acima da média. Conta com grandes atuações, uma ótima fotografia e uma história que merece ser vista mais de uma vez. O filme tem tudo para abrir uma nova linha de filmes para a DC. Mais adultos, com temas mais pesados e diferente do que é feito atualmente. Joaquin Phoenix entrega mais uma grande atuação e o longa deve quebrar barreiras também no Oscar – pois ele deve, e merece, ser lembrado na premiação.

Nota do Crítico
Excelente!