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Crítica

Coração Partido é quase uma versão russa de “After”... para o bem e para o mal

A adaptação do romance de Anna Jane chegou aos cinemas brasileiros

Omelete
3 min de leitura
21.08.2026, às 06H30.
Veronika Zhuravleva e Daniel Vegas em Coração Partido

Créditos da imagem: (Divulgação)

A ideia de um filme russo chegar aos cinemas brasileiros para o público adolescente e jovem adulto pode parecer estranha a princípio, mas é só ver o cartaz de Coração Partido para entender que ele, na verdade, está mais próximo de nós do que imaginamos. O longa dirigido por Mikhail Vaynberg realmente tem todos os elementos de filmes como After, Belo Desastre ou Através da Minha Janela… para o bem e para o mal.

Em Coração Partido acompanhamos Polina (Veronika Zhuravleva), uma jovem que precisa recomeçar a vida após se mudar para outra cidade quando sua mãe decide morar com o novo namorado. Na nova escola, ela começa a sofrer bullying e, então, é defendida por Bars (Daniel Vegas), o aluno mais temido e misterioso do colégio, que decide fingir ser seu namorado para protegê-la.

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É a mistura de todos os clichês possíveis de “fake dating" com “enemies to lovers” (os dois são vizinhos e, inicialmente, não se dão bem) que o próprio romance best-seller de Anna Jane já oferecia, mas a confiança que Zhuravleva e Vegas têm um com o outro em tela ajuda a relação a fluir melhor, especialmente quando eles finalmente decidem se abrir um com o outro e dividem suas vulnerabilidades. 

No entanto, nos momentos em que o relacionamento é marcado por olhares malvados e atitudes dramáticas dos dois – o que acontece com uma certa frequência – a vontade que dá é de se contorcer enquanto fechamos os olhos. A quantidade de cenas em que Bars aparece todo molhado por algum motivo aleatório também não ajuda. Poderia ser sensual, mas, no filme, acaba ficando apenas gratuito e sem contexto.

Os diálogos criados pelo roteiro de Mariya Elisovetskaya, Marianna Kadrzhanova, Evgeniya Nazipova, Michael VaynbergUlyana Zvereva (sim, toda essa galera aqui) também não ajuda. Especialmente dentro da escola, as falas e atitudes parecem forçadas e não condizem com a idade dos estudantes.

Há alguns momentos divertidos, como Polina dançando BTS com as amigas novas, mas o drama realmente interessante em Coração Partido acontece quando envolve as famílias dos dois protagonistas. Ou melhor, os pais.

Bars tem um pai poderoso e muito controlador, que mal aparece na vida do filho. Enquanto isso, Polina começa a ver constantemente o quanto o novo padrastro maltrata a mãe e renega seus próprios deveres paternos com os filhos do casamento anterior. É um ótimo feito para o diretor o quanto o desenrolar de cada uma dessas histórias é revoltante enquanto espectador.

Tudo isso culmina no final do longa em que mais um dos clássicos clichês de romances teen – de famílias se envolvendo nos relacionamentos – acontece e deixa um gancho daqueles para o futuro. Agora a esperança é que um segundo filme seja confirmado e distribuído no Brasil também ou que, pelo menos, os livros da duologia ganhem logo uma tradução por aqui.

Nota do Crítico

Coração Partido

Your Heart Will Be Broken

14
Duração: 134 min
Direção: Mikhail Vaynberg
Elenco: Veronika Zhuravleva, Daniel Vegas
Onde assistir:

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